O homem que se tornou uma celebridade internacional como ladrão e fugitivo está em liberdade. Um dos responsáveis pelo assalto ao trem pagador na Grã-Bretanha, em 1963, Ronald Biggs foi solto na quinta-feira pelo governo de seu país. Não porque sua pena terminou — ainda faltavam dois terços dos 30 anos de prisão a que foi sentenciado —, mas porque está prestes a morrer.
O anúncio da soltura do ladrão — que fugiu 15 meses depois de preso, em 1964 — foi feito na quinta-feira pelo ministro da Justiça britânico, Jack Straw, como um gesto de compaixão:
— As evidências médicas mostram claramente que Biggs está muito doente e que a condição dele se deteriorou recentemente, culminando em uma nova internação. Não se espera que sua condição melhore.
O criminoso, que completará 80 anos amanhã, foi levado em 28 de julho de sua cela na prisão de Norwich, no leste da Grã-Bretanha, ao hospital universitário de Norfolk e Norwich, devido a uma grave pneumonia. No fim de junho, o famoso assaltante, que viveu mais de 30 anos no Brasil, foi internado no mesmo centro médico com uma fratura na bacia e uma infecção pulmonar.
Biggs já sofreu uma série de derrames, ataques cardíacos e crises epilépticas desde maio de 2001, quando decidiu se entregar voluntariamente à Justiça britânica. O ladrão foi transferido ontem para outro hospital
Advogado de Biggs, Giovanni Di Stefano afirmou à Sky News que a libertação não pode ser considerada uma vitória:
— Este homem não vai a nenhum pub ou para o Rio de Janeiro, mas sim ao hospital. Ele está doente e vai morrer.