EUA recebem centenas de voluntários para testes de vacina contra gripe suína
Centenas de americanos apresentaram-se como voluntários em oito cidades dos Estados Unidos para receber as primeiras doses experimentais de vacina contra a gripe suína, denominada oficialmente gripe A (H1N1). O país quer acelerar os testes da nova fórmula para realizar uma campanha de vacinação em massa antes que o outono --e a queda nas temperaturas propícia à transmissão da gripe-- chegue ao hemisfério norte.
Cerca de 2.800 pessoas participarão dos estudos patrocinados pelo governo americano. A Universidade de Saint Louis testará 200 adultos e 200 crianças. Separadamente, cinco empresas privadas farmacêuticas realizam estudos com fórmulas da vacina para descobrir quantas doses serão necessárias para imunizar a população.
Sharon Frey, que chefia o teste na Universidade de Saint Louis, disse que os cientistas estão trabalhando à noite e nos finais de semana para organizar os estudos e recrutar voluntários.
"Normalmente, leva um ano para fazer isso", disse ela, especialista em doenças infecciosas. "Posso dizer que estamos trabalhando em velocidade máxima".
Autoridades sanitárias esperam ter 160 milhões de doses disponíveis para entrega a partir de setembro, quando começa o outono.
Os estudos testarão a eficiência e a segurança de vacinas desenvolvidas por fabricantes, ajudarão a determinar a dosagem adequada e se a nova vacina poderá ser aplicada em combinação com a vacina para gripe comum.
Os participantes receberão diferentes combinações de duas vacinas para a gripe suína, feitas pelos fabricantes Sanofi Pasteur e CSL Limited, além de uma vacina para gripe comum.
Os dados serão entregues para análise da Administração de Drogas e Alimentos (FDA), órgão o governo federal.
Segundo a médica Anne Schuchat, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, é possível que o governo comece a campanha pública de vacinação antes mesmo de todos os testes serem completos.
Os EUA, contudo, devem tomar cautela com a nova vacina. Em 1976, uma campanha de vacinação foi interrompida após vários casos de pacientes com a chamada síndrome Guillain-Barre, que causa espécie de paralisação.
Embora não tenha ficado clara a relação entre o sintoma e a vacinação, o governo quer monitorar cautelosamente as pessoas que recebem a nova fórmula.
Volta às aulas
O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Thomas R. Frieden, afirmou nesta segunda-feira que as crianças americanas estarão imunes ao vírus da gripe suína, denominada oficialmente gripe A (H1N1), até novembro, quando chega o inverno. A estimativa é de que, até lá, a vacina a ser administrada em setembro comece a fazer efeito.
Em entrevista coletiva pelo telefone com o secretário de Educação, Arne Duncan, Friedman afirmou que a vacina começará a ser distribuída gradualmente para os grupos com maior risco de contágio, entre eles as crianças, especialmente aquelas entre seis meses e quatro anos de idade.
A vacina será administrada em duas doses, com duas semanas de intervalo. A expectativa é que a fórmula comece a fazer efeito 15 dias depois da última aplicação, próximo ao Dia de Ação de Graças, 27 de novembro.
Segundo Friedman, a composição da nova vacina será "similar à da gripe comum" e, por isso, não se espera que seus efeitos secundários sejam muito diferentes dos produzidos pela vacinação contra o vírus já conhecido. |