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  Colunas . Léa Campos

26.08.2009 imprimir Imprimir
 

QUE SAUDADE

Não fui, não sou e jamais serei partidária do PT, mas nada me impede de sentir saudade de um partido que lutava, pelo menos aparentemente, pelos direitos dos que trabalham no país.

Um partido que denunciava a corrupção, as bandalheiras, as maracutaias e mutretas que eram praticadas pelo governo. Que cobrava ética dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Que exigia moral de senadores e deputados. Que lutava à exaustão por melhores salários, aposentadorias e pensões para o povo brasileiro. Que realmente ia à luta pela minoria que era maioria no contexto do desenvolvimento do país, já que o homem engravatado não trabalha no campo ou em serviços que exigem força em lugar do diploma e do conhecimento.

Que saudade de alguns personagens que se fizeram no Partido do Trabalhador, que se elegeram para continuar lutando, alegando que se sem ter o poder nas mãos estou lutando, com  poder farei, pois não terei que pedir a outros. Que saudade dos estudantes que formavam filas na UNE, que faziam rifas e vendiam refresco para pagar as despesas das viagens à capital do país em busca de soluções para os problemas da população. Que saudade dos movimentos, sem manipulação, que eram feitos por sindicalistas para reivindicar melhorias para a classe. Que saudade do sindicalista Lula, cuja companheira fazia sanduíches  e os vendia aos militantes para fazer frente aos gastos nas manifestações. Hoje a  corrupção no poder é tão grande que pagam 40 reais por manifestante.

Que saudade daquele partido que matava e morria pelo bem-estar dos oprimidos, bem ao contrário do que existe hoje, que tudo faz para favorecer a oligarquia outrora combatida.

O PT adotou uma postura irreconhecível, um partido sem moral, mutreteiro, desordenado, com seus dirigentes cuidando do adágio popular: “Em tempo de murici cada um colhe pra si”.

Ao começar os escândalos de corrupção, Lula mostrou como seriam tratadas as denúncias contra seu governo, abrindo os cofres da Nação e distribuindo gratificação para manter a governabilidade a qualquer preço, valia tudo. A oposição desapareceu e aos poucos Lula foi se impondo, comprando consciências para se manter no poder.

A falta de ética está na ordem do dia e saiu do executivo contaminando os outros poderes como a ABIN e a PF, que agem sob as ordens do “coronel” Lula.

Aquele PT que cresceu por dizer que era diferente já não existe mais e seu fundador que perdia a voz e até a liberdade gritando em favor do trabalhador, do aposentado e dos pensionistas se tornou insensível e se embriagou com o poder, hoje sua vontade é lei agindo à revelia de todos. 

Lula abandonou o partido desde que foi eleito, hoje ele governa sob sua própria batuta, ignorando seus pares ele faz e desfaz sem tomar conhecimento da opinião do partido que fez dele Deputado Federal e presidente  do país, este mesmo partido que abdicou-se de outros nomes durante mais de 20 anos para beneficiar Lula, criador do partido.

Ele escolhe os que se deixam manipular sem levar em conta se pode ou não prejudicar o partido, blindou Sarney e agora fará o mesmo com Dilma. Sem consultar o partido, enfiou a candidatura da Ministra da Casa Civil goela abaixo, sem levar em conta outras opções para manter sua vaidade por cima. Lula é o dono da bola, se não joga, leva a bola para casa, se o PT se rebela ele fecha o partido. 

Não existe respeito aos militantes e ao corpo diretivo do partido, razão que está havendo um êxodo de figuras importantes como no caso da Senadora Marina Silva, do Senador Flávio Arns e Augusto Botelho, não nos esquecendo de Cristovam Buarque (PDT) que deixou o PT para se candidatar à presidência, o mesmo acontecendo com Ciro Gomes (PSB).

O PT perdeu sua ideologia. Não tem cara. Um partido sem ética é um partido morto, como morto deve estar seu fundador para seus seguidores que ainda têm um pouquinho de vergonha e dignidade.

Chamada de primeira página: precisa-se de um partido com ideologia de centro esquerda já que o único que existia com esta ideologia acaba de ser enterrado.

Que decepção para aqueles que acreditavam que o partido dos PeTralhas era imortal.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
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