Campanha vai pegar fogo, prevê Alencar
O presidente da República em exercício, José Alencar, retornou a Brasília e voltou a despachar ontem no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da presidência. Desde que assumiu interinamente a presidência, na segunda-feira, com a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, Alencar estava em São Paulo, em decorrência de tratamento médico.
Em conversa informal com os jornalistas na quinta-feira, o presidente da República exercício, José Alencar, apontou como prematura a avaliação sobre o desempenho de uma eventual candidatura da ministra Dilma Rousseff.
— Não acredito que a campanha vai ser morna, ela vai pegar fogo — disse.
Para ele, ainda é cedo para formar uma chapa para disputar as eleições. Segundo o presidente, o defeito de Dilma "é ser brava".
— Mas nós precisamos de uma mulher brava. Ela pode ser brava mas tem duas qualidades na personalidade: é brasileira com "B" maiúsculo e é dedicada aos detalhes de tudo. Além disso, é muito séria.
Ele acredita que o fato da petista ser "brava" não vai assustar o eleitorado.
— O eleitorado vai encontrar nisso a qualidade para entregar o País. E ela tem o apoio do presidente Lula e todos sabem que é preciso dar continuidade às políticas do presidente Lula.
Na mesma conversa, Alencar abordou a economia do país. Ele defendeu a tributação sobre os rendimentos da caderneta de poupança e voltou a criticar a taxa de juros.
— Todo rendimento deve ser tributado — afirmou Alencar.
Segundo ele, a tributação sobre a poupança idealizada pelo governo representa uma parte mínima do rendimento e não deve causar preocupação.
Alencar também defendeu a vinculação de parte do Orçamento da União para as Forças Armadas, equivalente a 3% a 5% do PIB. Esses recursos, segundo ele, iriam garantir o reequipamento das Forças Armadas.
— Daria muita força para o sistema de defesa do País que está abandonado há muito tempo e precisa de muito cuidado — afirmou.
Na sua avaliação, a polêmica em torno da compra de caças vai acabar favorável ao Brasil, com a redução do preço dos aviões. Deixou claro, porém, que caberá ao presidente Lula a decisão sobre o assunto.
— O presidente vai receber o relatório técnico dos caças mas a decisão política é dele — disse. |