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  Notícias . Estados Unidos

26.09.2009 imprimir Imprimir
 

Livro que critica a era Bush desperta polêmica nos EUA

O ex-presidente americano George W. Bush jamais teria achado que os democratas, que o criticaram tanto durante seu governo, sairiam em sua defesa após a publicação de um polêmico livro escrito por um dos redatores de seus discursos, Orlando Lizama.

O livro "Speech-Less: Tales of a White House Survivor" ("Sem discurso: Histórias de um Sobrevivente na Casa Branca", na tradução livre) foi escrito por Matt Latimer e saiu esta semana à venda nas livrarias dos Estados Unidos.

Latimer chegou cheio de idealismo à Casa Branca nos últimos meses do governo Bush para se encarregar dos discursos do presidente. Antes tinha sido o redator dos discursos do então secretário de Defesa Ronald Rumsfeld e pensava que seus sonhos se tornariam realidade trabalhando com Bush.

Mas não demorou a se desiludir perante o que descreve como um ambiente caótico, que compara com os que reinam nas populares séries de televisão The Office e The West Wing sobre o ambiente político de Washington.

Mas o que mais polêmica causou sobre suas revelações foram os comentários que atribui a Bush sobre seus adversários políticos, particularmente os democratas. Sobre o agora presidente Barack Obama, então senador por Illinois, Bush teria dito que "este é um mundo perigoso" e que el "não está nem remotamente qualificado para controlá-lo".

Bush também não foi muito delicado, segundo Latimer, ao se referir à ex-primeira-dama Hillary Clinton, que então disputava a candidatura presidencial democrata com Obama.

Sobre a possibilidade que de Hillary chegasse à Presidência, Bush afirmou:

— Esperam que pose seu traseiro gordo junto a essa escrivaninha no Salão Oval da Casa Branca.

Nem sequer os membros de seu próprio partido, o republicano, se livraram de seus comentários, incluindo a ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, companheira de chapa de John McCain nas eleições presidenciais de novembro passado.

— Estou tentando lembrar se a conheço. Quem é? A governadora de Guam? — ironizou.

Latimer chegou à Casa Branca quando começavam a aparecer os primeiros sintomas da crise econômica que levou o país à recessão. Segundo o escritor, os discursos sobre o tema eram concebidos com o objetivo de assegurar à população que existia um plano para enfrentar a crise e, ao mesmo tempo, dar o alertar para que o Congresso agisse rapidamente.

Esses discursos, assinala, eram tão complicados e redigidos tão cuidadosamente que dificilmente a população podia entendê-los.

— Não acho que tenhamos comunicado esse problema muito bem, porque era muito difícil comunicá-lo — assinala.

Mas quando se tratava de outros temas, os discursos eram excessivamente simplistas para que o presidente Bush não se cansasse. A situação chegou ao ponto em que "basicamente estávamos proporcionando informação para satisfazer o presidente", acrescenta ele.

— Nossa audiência passou a ser o presidente, não o país — conta Latimer em seu livro.

Mas o presidente que abandonou a Casa Branca com um dos níveis mais baixos de popularidade na história política dos EUA recebeu o apoio até de seus detratores, que afirmam que Latimer revela confidências que não deveriam ser publicadas.

Para Paul Begala, estrategista político do Governo democrata de Bill Clinton, a publicação do livro constitui uma "traição à confiança" depositada nele. Já Dana Perino, a última porta-voz do Governo Bush, minimizou a autoridade de Latimer ao assinalar que "quase ninguém na Casa Branca o conhecia".

Latimer defende sua obra e assegura ter escrito o livro para continuar uma tradição em um país onde muitas personalidades publicam obras reveladoras. Em entrevista à rede de televisão CNN, Latimer indicou que o objetivo do livro foi mostrar "o que está ruim em Washington agora".

— Não tenho remorso. Contei a verdade como a vi e quero que o povo dos EUA leia o livro e decida se estive ou não nessa sala — indicou em referência ao Salão Oval da Casa Branca.

 
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