"Não esperem que os EUA resolvam tudo", afirma Obama
Em um desafio contundente ao resto do mundo, o presidente Barack Obama pediu na quarta-feira aos demais países que deixem de "esperar que os Estados Unidos" encabecem a busca de soluções aos desafios globais de segurança e prosperidade, e que se juntem a uma "nova era de compromisso'':
— Chegou o momento de todos nós adotarmos a parte de responsabilidade que nos diz respeito para uma resposta global a desafios globais — disse.
— É chegado o momento para que o mundo se mova em uma direção nova — em seu primeiro discurso perante a Assembleia Geral da ONU.
Obama se declarou disposto a agir "de modo corajoso e coletivo":
— Defenderei os interesses de meu país e de meu povo, e não vou pedir desculpas por isso, mas é minha firme crença de que, nos tempos em que vivemos, mais do que nunca, os interesses de nossos países e de nossos povos são comuns — disse.
Obama criticou duramente as ocasiões em que a ONU, criada para resolver os problemas mundiais, se transformou "frequentemente em um fórum para semear a discórdia, em vez de buscar pontos de acordo".
Por isso, expressou a vontade de seu país de recuperar o multilateralismo e enumerou uma série de medidas já adotadas com esse objetivo, entre elas a colaboração com o G20, os países ricos e os principais emergentes, para fazer frente à crise econômica mundial e a decisão de fechar a prisão de Guantánamo (Cuba).
— A medida de nossas ações ainda deixa muito a desejar frente à magnitude de nossos desafios — afirmou.
— A escolha é nossa. Podemos ser lembrados como uma geração que optou por prolongar as disputas do século XX no século XXI, ou podemos ser uma geração que se une para servir aos interesses comuns dos seres humanos — disse o chefe da Casa Branca.
Ele fez uma advertência aos regimes do Irã e da Coreia do Norte, de que, se continuarem adiante com seus programas nucleares, "terão que prestar contas". Também advertiu que não se permitirá "refúgios para que a Al-Qaeda lance ataques a partir do Afeganistão ou de qualquer outra nação", e expressou seu compromisso em buscar uma paz duradoura no Sudão.
Além disso, "continuarei buscando uma paz justa e duradoura" entre israelenses, palestinos e mundo árabe, disse.