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  Notícias . Mundo

30.09.2009 imprimir Imprimir
 

Honduras adota mão de ferro após abriga presidente deposta Zelaya

No fim de um dia marcado pela crescente tensão entre o governo golpista de Honduras e o Brasil – que divergem sobre o destino do presidente deposto Manuel Zelaya –, os principais alvos acabaram sendo os cidadãos do país centro-americano. Em cadeia de rádio e TV às 20h15min (23h15min em Brasília), foi anunciado um decreto que determina uma série de restrições à movimentação e à liberdade de expressão dos hondurenhos.

A partir de agora, fica proibida qualquer mobilização política nas ruas. Além disso, o ministro do Interior do país, Oscar Matute, informou que os veículos de imprensa que “incitarem a violência” devem ser regulados pelo novo decreto, que autoriza a polícia e as forças armadas a fecharem quaisquer estações de rádio ou televisão “que não ajustarem sua programação às disposições atuais”.



Um minuto antes, o canal 36, apoiador de Manuel Zelaya, denunciava a invasão de sua sede em Tegucigalpa, por tanques das forças armadas. Da tensão moderada na semana passada, a relação entre o Brasil e o governo de Roberto Micheletti passou domingo à etapa da rispidez, resultante de uma ameaça ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso o governo brasileiro não defina nos próximos 10 dias a situação de Zelaya, a embaixada brasileira – onde ele se refugia desde segunda-feira passada – deixará de ser considerada uma representação diplomática. Ela corre o risco de ser fechada. O objetivo é que seja esclarecido se Zelaya ganhará asilo no Brasil ou será entregue às autoridades hondurenhas. Lula reagiu irritado às pressões, dizendo não negociar com “usurpadores de poder’’.

– O governo brasileiro não acata ultimato de um golpista – completou, na saída da reunião de cúpula entre países sul-americanos e africanos, na Ilha Margarita (Venezuela).

Funcionários da OEA foram barrados no país

Zelaya, segundo repetiu Lula, é um “hóspede’’ do Brasil, sem prazo para ir embora. Com o toque de recolher diário iniciando às 18h (21h em Brasília), grandes engarrafamentos se formam nas ruas quando a hora se aproxima. O nível de tensão está nos rostos dos motoristas e nas buzinas. Em uma loja de celulares, uma funcionária resume o sentimento dos hondurenhos.

– Isso só atrapalha as nossas vidas. Qualquer dia, “Mel” (como também é conhecido Zelaya) e Micheletti estarão sentados comendo na mesma mesa.

Além do bate-boca com o Brasil, o governo golpista de Honduras impediu domingo que quatro funcionários da Organização dos Estados Americanos (OEA) entrassem no país. Em outra demonstração de cerceamento à informação, o governo impediu a imprensa de ver a cena de bloqueio aos funcionários da OEA, no aeroporto internacional de Tegucigalpa.

Na parede do hall, quatro grandes telões exibiam em tempo real imagens da pista, da área de desembarque e das esteiras de bagagem. Seria um mero serviço para que as pessoas acompanhem a chegada de passageiros. No domingo, quando o avião trazendo os observadores da OEA aterrissava na pista, as telas se apagaram.

 
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