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30.09.2009 imprimir Imprimir
 

Prisão de Roman Polanski surpreende

Era para ser mais uma viagem de trabalho para o cineasta Roman Polanski. No Festival de Cinema de Zurique, para onde voou no sábado, receberia um prêmio por sua obra. Antes disso, contudo, o diretor franco-polonês acabou preso ainda no aeroporto pelas autoridades suíças. Foi, enfim, o cumprimento de um mandado de prisão que completava 31 anos – desde que, vendo uma condenação por estupro iminente, Polanski fugiu para a Europa. Apesar de legítima, a medida causou surpresa e indignação em todo o mundo.

Em suas três décadas de fugitivo, o franco-polonês morou na França e circulou livremente por vários países europeus. Ele recém havia terminado uma filmagem na Alemanha e viajava com frequência à Suíça – onde, inclusive, tem uma casa. Por isso, amigos e o próprio Polanski tentavam compreender o porquê da prisão repentina. Para o escritor britânico Robert Harris, que trabalhava com o diretor na adaptação de seu romance O Fantasma, “há algo muito estranho e suspeito”.

– Nos últimos anos, Roman viajou para Alemanha, Espanha, Itália, Egito, Grécia, Rússia, China. Por que agora, de repente, é retirado de um avião e confinado à prisão? Esta é uma ação elaborada por gente importante para enviar algum tipo de mensagem para alguém em algum lugar – opina.

Segundo o jornal Los Angeles Times, a procuradoria do condado de Los Angeles, na Califórnia, planejou a prisão quando soube que o cineasta iria à Suíça receber tal prêmio. Em pelo menos duas ocasiões anteriores, acrescentou o jornal, a Justiça americana preparou os trâmites para a detenção por saber que o cineasta visitaria países que mantêm tratados de extradição com os EUA. Mas ele não foi.

– Não havia razão para não cumprir um mandado válido – afirmou a ministra da Justiça suíça, Eveline Widmer-Schlumpf.

O diretor vai permanecer em Zurique até a conclusão dos procedimentos para a extradição, cujo pedido formal deve ser feito pelos Estados Unidos em até 60 dias. No domingo mesmo, as diplomacias europeia e americana já entraram em ação. O cineasta é cidadão francês e o governo de Nicolas Sarkozy fez questão de deixar claro que não ficou satisfeito com a prisão.

– Considero a possibilidade de solicitar a Barack Obama a proclamação de um ato de clemência que resolva a questão de uma vez por todas – declarou o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski.

Comunicado da Associação Suíça de Diretores chamou a prisão de “uma grotesca farsa judicial e um monstruoso escândalo cultural”. A mulher de Polanski, a atriz francesa Emmanuelle Seigner, viajou à Suíça para acompanhar o caso.

 
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