Obama confirma presença na eleição e assusta rivais de Chicago
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou na segunda-feira que vai mesmo a Copenhague, na Dinamarca, para acompanhar na sexta a eleição da sede da Olimpíada de 2016. Assim, ele espera dar o apoio necessário para Chicago sair com vitória. Sua presença, inclusive, assusta as outras três candidatas - Rio, Madri e Tóquio.
Nesta segunda-feira, as delegações das quatro cidades começaram, já em Copenhague, a última fase do lobby para conseguir os votos dos 105 membros do Comitê Olímpico Internacional (COI). Mas o grande assunto do dia foi a confirmação da viagem de Obama, que causou forte impacto na disputa.
Obama será o primeiro presidente da história norte-americana a se deslocar para pedir votos numa eleição de sede olímpica, mostrando que os Estados Unidos estão realmente empenhados na vitória de Chicago para voltarem a receber uma Olimpíada, vinte anos após os Jogos de Atlanta.
Membros do COI confirmaram que foram contactados pelo governo dos EUA, já agendando encontros individuais com Obama. Ele, porém, deve deixar Copenhague antes do anúncio da vencedora. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve fazer o mesmo, para evitar embaraços diante de uma possível derrota.
"Todas as demais candidaturas seriam muito mais felizes se Obama não viesse", admitiu Mercedes Cohen, presidente da campanha de Madri, consciente do poder que o presidente dos EUA pode exercer na eleição. "Obama representa esperança", comemorou o prefeito de Chicago, Richard Daley.
Diante do anúncio de Obama, Tóquio também decidiu confirmar nesta segunda-feira a presença do novo primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, na eleição em Copenhague. Assim, as principais autoridades dos quatro países em disputa estarão presentes, na luta para ganhar alguns votos.
Em eleições passadas do COI, a presença de chefes de Estado foi decisiva, como aconteceu na Olimpíada de Londres/2012 e nos Jogos de Inverno de Sochi/2014. Por isso, Obama foi convencido a mudar sua agenda para dar um último, e talvez decisivo, apoio para a vitória de Chicago.
Enquanto isso, Lula afirmou nesta segunda-feira, em seu programa de rádio, que esperava voltar de Copenhague "com a vitória". Mas foi cauteloso, evitando euforia. "Isso é uma luta e, se não ganharmos, teremos de nos preparar para um outra", disse o presidente, já indicando uma eventual candidatura do Rio para receber a Olimpíada de 2020.
Já o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, tentou passar a mensagem de que Obama está entrando tarde demais na disputa. "A estratégia do Rio já está definida com a liderança do presidente Lula, que está diretamente envolvido desde seu início, há dois anos", explicou.
Segundo analistas, porém, a chegada de Obama terá um efeito na eleição. Michael Peney, ex-diretor de marketing do COI, confirmou que o presidente dos Estados Unidos tentará desfazer o sentimento antiamericano que existe hoje na entidade. O país foi palco de dois fracassos recentes.
Na Olimpíada de 1996, Atlanta colocou os interesses comerciais acima dos esportivo. Depois, nos Jogos de Inverno de 2002, Salt Lake City foi palco do maior escândalo de compra de votos da história do COI, garantindo o direito de receber o evento numa eleição que ficou manchada.
"O sentimento antiamericano de fato existe e Obama trará o discurso de que Chicago e ele representam um novo Estados Unidos", afirmou Michael Peney, um experiente observador dos bastidores do COI, que também está em Copenhague para acompanhar os desdobramentos da eleição de sexta-feira.
Alex Gilady, membro do COI com direito à voto, não escondia a satisfação com a notícia. "A vinda de Obama é boa notícia para o COI e para Chicago", afirmou o delegado, que também é vice-presidente da NBC - a rede norte-americana de tevê pagou US$ 3,2 bilhões para ter o direito de transmitir os Jogos nos anos 90.