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  Notícias . Brasil

07.10.2009 imprimir Imprimir
 

Lula diz que Brasil não deve ser vendido apenas como favela, carnaval ou futebol

Depois de uma agenda de protocolos em Bruxelas – visita ao Parlamento do país e almoço com o rei belga, Alberto II – o presidente Lula se encontrou com empresários belgas e brasileiros e criticou alguns estereótipos que ainda se perpetuam sobre o Brasil. “Não é possível que um país que tem a terceira fábrica de avião no mundo - e que para o nosso prazer muitos aviões que voam na Bélgica são da Embraer, inclusive o avião de sua majestade - seja vendido ao mundo apenas como favela do Rio de Janeiro ou apenas como carnaval e futebol”, comentou.

O comércio entre os dois países chegou a US$ 6 bilhões no ano passado, sendo US$ 4,4 bilhões de exportações brasileiras e US$ 1,6 bilhões, belgas. Além do comércio, a Bélgica desperta o interesse do Brasil por ser uma das portas de entrada para os produtos na Europa. Empresas brasileiras como a Citrosuco, Votorantim, WEG e Duratex fizeram de Bruxelas a base de operação na região.

Mais uma vez, o presidente Lula aproveitou para criticar governos anteriores que não investiram na distribuição de renda do país, com o argumento de que era necessário que a economia crescesse. “Durante a década de 70, o Brasil chegou a crescer até 14% ao ano e, na época, eu era dirigente sindical e nós ouvimos dizer que era preciso o bolo crescer mais para que depois que o bolo estivesse muito grande, distribuir. O que aconteceu é que o bolo cresceu, alguém comeu e a maioria do povo ficou sem o seu pedaço do bolo”, disse, arrancando gargalhadas dos presentes.

Para convencer os empresários belgas de que o Brasil é um lugar seguro para se investir, o presidente Lula apostou no argumento de que o país conseguiu passar pela crise financeira e, hoje, já está com a economia em crescimento e mesmo assim, conseguindo fazer a distribuição de renda. “A renda do trabalhador está aumentando até um pouquinho mais do que a dos empresários na distribuição de renda”, disse.

O ministro de Relações Exteriores belga, Yves Leternne, reconheceu que o Brasil se saiu melhor do que a maioria dos países na crise econômica global e disse que Lula “talvez tivesse razão quando disse que essa crise chegaria numa – e aqui eu tento pronunciar a palavra corretamente – “marolinha”, como uma pequena onda que afetaria o Brasil”. Segundo Leternne, o sistema financeiro forte do país e as medidas tomadas pelo governo fizeram com que o Brasil fosse o último país a entrar na crise e certamente será um dos primeiros países a sair dela. E isso, para ele, cria novas oportunidades para os empresários belgas.

De Bruxelas, na Bélgica, o presidente Lula partiu para Estocolmo, na Suécia, onde participa da Cúpula Brasil-União Europeia nos próximos dias.
 
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