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  Colunas . Léa Campos

14.10.2009 imprimir Imprimir
 

PEQUENO GRANDE PAÍS

Na semana passada publiquei uma matéria de um amigo jornalista, Dalmo de Abreu Dallari, intitulada “O Fundamento Legal Omitido”, publicada em 03 de outubro, confirmando minha matéria de 15 de julho. A intenção era responder alguns leitores que me enviam e-mails pedindo detalhes sobre o que escrevi.

Os que lêem meus artigos terão agora a re-confirmação de que tudo quanto escrevo é facilmente comprovado. Não invento notícias, publico os fatos.

A opinião internacional terá que mudar de postura já que a Constituição Hondurenha está sendo lida, tardiamente, mas está.

Tomaram uma decisão  contra Honduras às escuras e agora terão que aceitar que erraram e voltar com seus embaixadores ao Pequeno Grande País.

Todos os prejuízos financeiros terão que ser ressarcidos, mas e o prejuízo moral como ficará? O governo de Honduras foi taxado de golpista. O presidente interino  é chamado de ditador e outros adjetivos que não qualificam corretamente um cidadão e a única coisa que fez foi defender o povo que o elegeu, os colegas que o escolheram por meio do voto para presidir o Congresso hondurenho e a Constituição a qual rege o país que o viu nascer.

Michelete defende seu país como um verdadeiro patriota, enquanto os que estão contra são simples vendilhões interessados em tirar proveito da posição que ocupavam, sem se preocupar com o povo e com o país.

A comitiva que esteve em Honduras na semana passada, composta por chanceleres de vários países, elementos da OEA, da ONU e alguns Senadores americanos, entre os quais Llena Lehtienen, Lincon Balart  e Mario Diaz Balart, (republicanos)  que acreditavam inicialmente na palavra de Zelaya.

Depois de ler a Carta Magna de Honduras, começaram a entender que o presidente deposto realmente havia violado a Constituição, ao querer  fazer um plebiscito com a intenção de impor um novo mandato e com isso ter condições de buscar uma forma de se perpetuar no poder, seguindo os exemplos da Bolívia, do Equador e da Venezuela, sem levar em conta que estava infringindo uma  cláusula Pétrea da Constituição que determina que qualquer cidadão que queira fazer uma consulta popular perderá o cargo,  ficará impedido de ser votado por dez anos e não poderá  exercer nenhum  cargo público, no caso em questão, Zelaya está impedido de se candidatar novamente ao cargo de presidente.

O presidente deposto implantou a desordem em seu país e terá que responder pelos cargos que lhe são imputados, inclusive roubo e corrupção, além dos encargos referentes a desobediência civil cometida por ele e por seus seguidores que foram incitados por ele a rebelar-se nas ruas em movimentos favoráveis ao seu retorno.

Honduras tem eleição presidencial dia 29 do próximo mês, a comunidade internacional, que antes dizia que não aceitaria o novo presidente, terá que mudar de opinião como muitos já mudaram depois de ler a Constituição daquele país.

Tudo teria sido mais fácil se não houvessem feito uma tempestade em um copo d’água, agora terão que se desculpar, devolver as credenciais  diplomáticas ao país ofendido, voltar a comercializar com os hondurenhos, indenizar empresários que foram prejudicados pela precipitação mundial.

O Brasil terá que se reciclar e daqui em diante tomar decisões com a razão e deixar de ser pau mandado de outros chefes de estado, que só querem desestabilizar a paz no continente Latino Americano.

Muitos falaram por boca alheia e agiram pela vontade de outros. O exílio dado a Zelaya em nossa embaixada em Honduras foi a maior prova de imaturidade do governo brasileiro. Agiram e falaram coisas que são improváveis e agora terão que fazer cara larga e se desculpar, não somente com o povo hondurenho, mas também com a opinião internacional.

A “Republiqueta das Bananas” como alguns governantes chamaram Honduras, terão que se curvar diante de um país, que sendo pequeno se agigantou em honra para enfrentar os que se meteram na festa sem convite como simples penetras.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
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