Abandonados por si mesmos: quatro mortos em noventa dias
Nos últimos noventa dias quatro brasileiros perderam a vida em nossa comunidade. Um foi assassinado e os demais por motivo de doenças naturais: coração e câncer. Nenhum deles tinha meios de custear as despesas do funeral e o translado para a terra natal para sua última morada na terra que os viu nascer, o Brasil de todos nós.
Mais uma vez a comunidade que todos acusam de desunida mostrou seu outro lado, meteu as mãos no bolso e ajudou nas despesas, colaborando com as vergonhosas e humilhantes listas. Parentes e amigos saem batendo de porta em porta, pedindo e ouvindo pilhérias em troca de míseros dólares para arcar com as despesas de um velório, funeral e um sepultamento cristão e decente aos infelizes que tiveram abreviada sua trajetória nesta terra de oportunidades, solidão depressão e realização.
Há quase duas decadas falamos neste assunto e neste espaço mais de cinquenta brasileiros já se foram na horizontal, numa viagem sem regresso à cidade que os viu nascer. A grande maioria voltou sempre com o apoio da comunidade, que enfiou as mãos no bolso e deu o que podia, mesmo sem poder, para que o compatriota tivesse um adeus digno de um cristão.
O lamentável em tudo isso é que sempre que morre alguém na comunidade a ladainha se repete. É o mesmo drama: a falta de dinheiro para as despesas e o apelo de familiares para dar o último adeus. Todo este sofrimento poderia e pode ser abreviado fazendo-se um seguro de vida ou seguro funeral para custeio de despesas, mas a resposta é sempre a mesma: “Eu não morrerei AQUI”. Por acaso alguém sabe onde e quando morrerá?
Em vida não falta grana para o churrasco do fim de semana, compras no shopping, passeios, shows de forró, pagode e outros odes, festas de todo o tipo, roupas de marca, compra de casas e terrenos no Brasil, carrões BMW, Mercedes, Toyotas e depois da morte nós os “yotas” temos que arcar com as despesas e as vontades dos familiares no Brasil. Durante a vida gastam em farras, festas, esbanjam e esnobam. Todo mundo é rico e poderoso e quando morre viram literalmente pobres coitados sem recursos.
É hora de mudarmos essa realidade. Aqui neste país existem meios legais e mecanismos para isso, é só fazer um seguro, que além de pagar todas as despesas e a polícia enviará o restante para o familiar ou parente beneficiado na apólice. Garanto a todos vocês que um seguro de vida por mês custa menos do que se gastam com cerveja nos churrascos de fim de semana, entradas para os shows de forró ou de pagode, as roupas de marcas do shopping, a calca jeans do Brasil. É hora de tomarem vergonha na cara. Isso mesmo vergonha na cara! Se todos podem gastar nas farras, nos carrões e nas roupas podem muito bem pagar um seguro de vida. Isso evitará que parentes e amigos passem pela humilhação de sair de chapéu na mão, batendo nas portas como mendigos em busca de fundos para custear um funeral e ainda ver sua honestidade questionada. Quem sabe um dia o povo cairá na real e até lá ficaremos esperando quantos mais morrerão. Em 2008 foram quinze mortos em sessenta dias. Preparem os chapéus! O próximo pode estar ao seu lado! Que Deus nos proteja e que a terra lhes seja leve. WHO WILL BE THE NEXT? |