O medo paira sobre o Rio “Violento” de Janeiro
Em questão de dias o Rio de Janeiro foi do céu ao inferno da euforia pela conquista do direito de sediar as Olulimpiadas 2016 com a onda de violência que se abateu sobre a cidade no último fim de semana. Ainda bem que este triste episódio só ocorreu após a eleição da cidade para a Olimpíada de 2016, caso este fatídico incidente acontecesse dias antes da votação podem apostar, o resultado seria outro e todo o esforço do Presidente Lula, do Governador Sérgio Cabral, do Prefeito Eduardo Paes e do povo de bem da cidade e do estado do Rio de Janeiro teria ido tudo por água abaixo como as águas de março que incomodam a cidade maravilhosa.
Seria o fim do caminho de um projeto onde todo o país torceu e vibrou com a vitória do Rio “Lindo” de Janeiro. Passei três dias convivendo de perto com o povo de lá: quarta 14, quinta 15 e sexta16 de outubro no II Encotro de Brasileiros no Mundo, realizado pelo Ministério das Relações Exteriores, nas dependências do Itamaraty no Palácio Rio Branco, na Marechal Floriano, próximo à histórica e famosa estação de trens Central do Brasil. Durante estes três dias todas as manhãs tive a honra de ver parte do vai-e-vem dos trabalhadores cariocas e no fim da tarde ver o povo humilde e trabalhador fazer o caminho de volta para os seus lares nas várias partes da cidade e seus subúrbios, reduto de sambistas e berço de cultura e muita coisa boa para a história do nosso país.
Vi o medo estampado na cara do povo, um olhar para o céu como a dizer “senhor tende piedade de nós”. Abordei pessoas de todos os níveis, credos e classe social e todos como num grande jogral responderam sem hesitar: “Temos medo de tudo e de todos. Nós não merecemos passar por isso” . Os cariocas têm orgulho e medo da vida na Cidade Maravilhosa de encantos mil cantada em verso e prosa como o coração do Brasil. Por muitos anos foi a principal porta de entrada do país, o berço da Oitava Maravilha do mundo, a cidade mais famosa do Brasil e da América do Sul, considerada por muitos como Capital Cultural.
É lamentável tudo que vem acontecendo. Falta amor por parte de algumas pessoas. Falta vergonha na cara de políticos e dirigentes, um bando de gente sem escrúpulos, bandos sanguinários disfarçados de policiais militares e civis corruptos, bandidos de verdade dando as cartas e ditando normas ao povo humilde, a gente simples dos morros, que no fim do dia rezam uma prece, a Ave Maria e os barracões de zinco do passado, sem pintura e sem telhado hoje se transformaram em bankers de guerra, esconderijo de malfeitores sanguinários e inescrupolosos.
O estado brasileiro está desmoralizado com os episódios do fim de semana, pois o Rio, o Brasil e as vidas ceifadas naquela guerra são de brasileiros, gente como nós, cheias de sonhos, que vivem aos pés do Redentor, que de braços abertos, abençoa aqueles que todos os dias saem à luta pelo pão de cada dia com ou sem acuçar. O povo do Rio leva dentro de si um grito de paz preso na garganta, não querem e não merecem viver crivados de flechas, como morreu o Santo Padroeiro que deu nome à cidade, São Sebastião do Rio de Janeiro. É hora do governo brasileiro ajudar o povo carioca a voltar a sonhar. O sonho sonhado com mentes abertas , terra de poetas, de história e tradição. É hora do Rio voltar a ser o orgulho de todos e de toda a nação brasileira. |