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24.10.2009 imprimir Imprimir
 

Combate às drogas baseado na proibição é "caminho para o desastre", diz especialista

As políticas de enfrentamento à questão do tráfico e do consumo de drogas baseadas na proibição são um “caminho para o desastre”. A avaliação é do detetive aposentado da Polícia de Nova Jersey, nos Estados Unidos, Jack Cole. Para ele, que trabalhou infiltrado no mundo do narcotráfico em seu país de origem por mais de dez anos, a repressão tem um custo alto para o Estado e traz pouca eficácia no dia a dia da sociedade.  

Para justificar sua hipótese, Cole citou a política norte-americana de combate às drogas.

“Quando a nossa política de combate começava, na década de 1970, os estudos apontavam que cerca de 1,3% da população era viciada em algum tipo de droga. Por conta disso, começamos uma guerra, com custos de aproximadamente US$ 100 milhões ao ano. Passadas algumas décadas, os gastos que temos nessa área já chegam a US$ 70 bilhões e o percentual de viciados continua nos 1,3%", argumentou.

"Além disso, mesmo com toda essa política, as apreensões passaram de gramas a toneladas. Enquanto o grau de pureza aumentou muito, o preço das drogas se torna cada vez menor. Por tudo isso, podemos dizer que é uma política fracassada”, afirmou ele, que participou na sexta-feira (23), no Rio de Janeiro, da 2ª Reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia. O encontro reúne, durante todo o dia, especialistas para discutir avanços e desafios nas políticas de combate às drogas.

Ele também criticou o fato de que, com a proibição do consumo, torna-se mais fácil a crianças e adolescentes adquirir essas substâncias no mercado ilegal do que as chamadas drogas lícitas, como álcool e cigarro.

“Nas ruas, eles não querem saber se o comprador tem documento de identificação, se tem idade suficiente, como ocorre nos Estados Unidos para liberar a venda de bebidas alcoólicas, por exemplo. Nas ruas, eles só querem saber se o comprador tem o dinheiro [para comprar a droga]”, acrescentou.
 
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