Cidade na fronteira México-EUA já registra mais de 2 mil assassinatos
Os homicídios atribuídos ao crime organizado em Ciudad Juárez, na fronteira do México com os Estados Unidos, superaram os 2 mil com o assassinato de 22 pessoas nas últimas horas, informou a promotoria dessa que é considerada a cidade mais violenta do país.
Além disso, segundo números do jornal mexicano El Universal, neste ano o México já soma 6.018 mortes relacionadas com a ação do crime organizado — uma de cada três pessoas assassinadas em todo o país perdeu a vida em Ciudad Juárez.
Entre janeiro e outubro, o número de assassinatos nessa cidade que faz fronteira com El Paso (Texas, EUA), superou em 24,8% aos cometidos em todo o ano passado (1.607), de acordo com dados divulgados ontem pela Procuradoria Geral de Justiça do Estado (PGJE).
Segundo a procuradoria, nessa cidade de 1,5 milhão de habitantes, foram assassinadas 2.005 pessoas em 2009.
— Os números são devastadores, vemos um fracasso não somente das autoridades, mas da sociedade — disse à agência Efe o porta-voz da Diocese Católica de Ciudad Juárez, Hesiquio Trevizo.
O religioso fez um chamado à comunidade para que cada pessoa reflita sobre a situação que se vive na "cidade mais violenta do mundo" e "fazer o que esteja ao alcance de cada um para que a onda de violência termine".
O governo federal mantém em Chihuahua milhares de agentes federais e soldados para conter a expansão dos grupos narcotraficantes na região.
Entre os homicídios cometidos na quinta-feira e na madrugada de ontem nessa localidade está o de Miguel Etzel Maldonado, promotor de Chihuahua, que sofreu ontem à noite um atentado no bairro São Felipe. Maldonado, que trabalhava como secretário de Ação Política do Partido Revolucionário Institucional (PRI) em Chihuahua, foi atacado a tiros quando chegava a sua casa e morreu durante a madrugada, quando recebia atendimento médico em um hospital.
As autoridades atribuem a onda de crimes em Ciudad Juárez aos vários cartéis do narcotráfico que disputam o controle das rotas para levar drogas aos Estados Unidos.