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  Colunas . Opinião . Francisco Sampa

28.10.2009 imprimir Imprimir
 

As baionetas do Itamaraty e os bajuladores consulares

O governo brasileiro através do Ministério das Relações Exteriores e da Subsecretaria Geral das Comunidades Brasileiras  no Exterior realizou nos dias 14, 15 e 16 de outubro no Palácio do Itamaraty a II Conferência das Comunidades Brasileiras no Exterior. Uma atitude  ímpar,  pioneira e louvável do atual governo brasileiro.

Mas como  nem tudo é festa, é bom recordar aos senhores de Brasília como é grande o poder   de voto e consumo  dos brasileiros autoexilados  nos mais longínquos rincões do planeta. É  só recordar  as últimas eleições presidenciais e os números das   nossas remessas para o Brasil, cujos números ultrapassaram o lucro com a venda de automóveis brasileiros para o exterior.

Mesmo com todo este poder  político e econômico não temos respaldo do governo brasileiro. Como  dizia a música de sucesso  recente ”Tô nem aí “, assim ele está  para nós os  autoexilados  das terras tupiniquins. Não tem  para  conosco nenhuma preocupação ou dever  nas áreas da: educação, saúde, segurança, bem-estar social e desenvolvimento. Pude  constatar isso  com nossos compatriotas presentes ao encontro e oriundos de vários continentes e  países de realidades bem diferentes da nossa  na terra  do Tio  Sam.

Está certo que não  nos botou para fora como nos tempos da ditadura e dos anos de  chumbo dos coturnos e baionetas caladas. Quem nos expulsou foram as políticas desastrosas, inflação galopante  e a busca por novos  horizontes. Por  falar  em  ditadura repito aqui as palavras ditas diante do embaixador  Otto Agripino Maia e dos seus pares no Palácio  do Itamaraty: “Nessa história tem  algo errado no ar, Sr. Embaixador, os seus assessores estão lhe faltando com a verdade e omitindo a realidade da comunidade”.

Os consulados e embaixadas  brasileiras, conforme  ficou constatado, são verdadeiras lástimas  no quesito atendimento consular ao público. No Rio de Janeiro a gritaria veio de várias partes do mundo,  num coro de milhares de  vozes. O mau atendimento levou o Oscar  por unanimidade nos quatro cantos do planeta. Funcionários mal humorados e mal educados, muitos deles mal pagos também, pois o governo  não é bom patrão como se  pensa e também sofrem com o estado de  humor de seus superiores, cada  cônsul ou embaixador é o senhor  feudal no consulado onde está comissionado.

 O senhor  Jorge  Costa de  Boston apresentou fatos  estarrecedores diante de todos e do Cônsul Geral da  Nova  Inglaterra  presentes ao evento. Segundo  o Sr  Jorge o consulado de Boston  remeteu ao governo brasileiro  no último  ano fiscal  mais de $2 milhões de dólares,  dinheiro arrecadado com as taxas cobradas por serviços prestados ao povo. Por  outro lado, os funcionários daquele consulado só podem sair para almoçar após as 2h30 da tarde. É mole ou quer mais? Se o de Boston  mandou $2 milhões, quais serão  os números do de New York? O consulado de New York  cortou as horas  extras de alguns funcionários e instituíram o horário  sanfona, ou seja,  de acordo com a necessidade. A justificativa é  corte de verbas. Está  bom, nós acreditamos na Cuca, no Sacy, no IBIS Campeão do Brasileirão e nessa  lorota consular.

O estranho é que não faltou verba para custear aqui e no  resto mundo as despesas de  passagens áreas, hospedagens e alimentação de pseudo-líderes comunitários. Leia-se:  boa parte deles, bajuladores  consulares dos EUA, Europa, Ásia, Oceania e África que foram ao Rio passear à custa  do povo brasileiro. O departamento de ajuda a brasileiros nunca tem verba para repatriar quem precisa, mesmo estando à beira da morte. Cortam salários e  funcionários por alegada falta de verbas, mas puxa- sacos viajaram, dormiram e comeram de graça à custa da pátria  amada mãe gentil. Enquanto nós o Zé Povinho passamos o chapéu para ajudar um compatriota em situação  difícil.

Quanto aos senhores Cônsules, que cuidem do consulado e de seus funcionários, dando-lhes condições dignas de  trabalho e de  prestarem um bom atendimento ao povo que bate em vossas  portas, pois para  isso vocês existem. São prestadores de  serviços pagos pela República Federativa do Brasil para nos atender  bem. Não  é um favor é um dever porque pagamos direta e indiretamente por estes serviços. Parem de agir como  nos tempos da ditadura escolhendo representantes biônicos nas comunidades  brasileiras no mundo. Não  precisamos que  nos apontem os nossos líderes, sabemos quem poderá  falar  por nós. Só quem recebe o serviço pode avaliar a qualidade do mesmo. Já no Brasil,  sem citar valores específicos o CTU - Tribunal de Contas da União aprovou na quarta-feira, dia 14, dois acordões cobrando do senado e da câmara a devolução aos cofres públicos do dinheiro  da chamada “farra aérea”. Que  tal o TCU pedir explicações  ao MRE sobre  a “farra das passagens e das hospedagens dos  bajuladores  consulares, ops, líderes comunitários”? A grana gasta não foi pouca e enquanto isso qualquer coisa  nos consulados  não sai por menos de   $ 20 dólares.
 
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