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  Colunas . Léa Campos

02.12.2009 imprimir Imprimir
 

VENCEU A DEMOCRACIA

O pequeno grande país acaba de dar uma lição ao mundo, a grandes e pequenos que estiveram contra o resgate da vergonha,  da democracia e da dignidade do povo hondurenho. Os "chapeuzinhos vermelhos" da América Latina e alguns europeus tentaram impor a Honduras um regime continuista como o que impera nesta parte do mundo, uma coisa é petição popular outra é querer impor-se  como Brasil e  "cumpanheiros".

Aos que batem o  pé e não aceitam o  presidente recém-eleito  terão que morder a língua e engolir.  Exigem respeito,  logo terão que respeitar, menos mal que EUA leram a Constituição e entenderam que o que houve foi uma tomada de posição em defesa do país e sua Carta, coisa que alguns mandatários não fazem, inclusive houve um que rasgou a Carta Magna de seu país no dia da posse dizendo que ali a constituição era ele.

Assim como não queremos ingerências  em nosso país, o governo brasileiro não deveria ter feito o que fez:  abrigou Zelaya em nossa embaixada e agora por não saber o que fazer dele,  se nega a reconhecer o presidente eleito. O deposto já disse que não aceita exilar-se no Brasil,  (melhor assim), e que permanecerá na embaixada  enquanto isso a "viúva" continua pagando as contas.

O Brasil se meteu gratuitamente e agora terá que mostrar diplomacia e sair de sua desfaçatez  sem ferir os acordos internacionais, apesar que os acordos  bi-laterais assinados pelo Brasil ao longo  desse desgoverno viraram unilaterais,  todos  cumprem menos o Brasil. A situação do presidente deposto é delicada, se sair sem aquiescência diplomática de algum país será preso para responder pelos 18 crimes dos quais é acusado, além do mais terá que sair como entrou: sorrateiramente, como ladrão.

O que o Itamaraty fará com seu “ilustre” hóspede, pois com a vitória incontestável de Porfírio “Pepe”Lobo Sosa, fica difícil qualquer atitude que não seja aceitar que em Honduras a Democracia e o bem do povo são mais importantes do que qualquer governante aprendiz de ditador. Certamente o chefe da tribo, Coronel Chávez, deve ter a logística para retirar o ex-presidente são e salvo da Embaixada brasileira sem colocar em risco a integridade física do povo hondurenho. O assessor de Lula para assuntos internacionais  considera “equivocada” a posição dos EEUU sobre a crise em Honduras.

Washington considera legítima a eleição, mesmo sem haver restituído o ex-presidente Zelaya, deposto por tentativa de promover um plebiscito em que pretendia se perpetuar no poder desrespeitando a Constituição e a lei Pétria que tira do poder qualquer funcionário eleito que tenta mudar a Cara Magna, impedindo-o de voltar a candidatar-se. 

A eleição zera a crise dando início a um novo ciclo democrático em Honduras. Brasil, Equador, Venezuela, Bolívia, El Salvador, Uruguai, Argentina  entre outros que se juntaram ao agitador deposto terão que enrolar o rabo e sentar em cima e se portarem bem diante do Lobo, pois já se sabe que “Chapeuzinho Vermelho” é seu prato preferido.

Para ser grande não precisa ser extenso, precisa ter homens de coragem que amam e respeitam o país em que nasceram, homens que arriscam suas vidas em  defesa dos que neles votaram, homens que colocam o interesse do povo e do país acima de tudo, que reconhecem que foram escolhidos para dirigir o país sem colidir com a opinião e o desejo popular.

Michelete é um deles e desde sua escolha pelo Congresso para governar Honduras, apesar de ter o mundo contra, soube levar com galhardia sua responsabilidade  respeitando as leis que regem o país, realizando as eleições apesar das ameaças do presidente deposto, que durante todo o processo tem demonstrado ser imaturo, promovendo movimentos subversivos,  utilizando a ignorância dos eleitores que por desconhecerem a Constituição do país o apoiaram sem medir conseqüências.

O mundo deve uma desculpa ao povo hondurenho e aos homens que lutaram pela continuidade da democracia naquele país. O governo em exercício acaba de dar ao mundo uma aula de democracia e respeito ao povo, o que falta nos chamados grandes, sobra neste pequeno grande país. 

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
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