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  Notícias . Estados Unidos

16.12.2009 imprimir Imprimir
 

Hillary defende política de Obama sobre direitos humanos

O governo Obama na segunda-feira delineou uma agenda quanto aos direitos humanos que reconhece os limites da autoridade americana; enfatiza a necessidade de mudança interna em outros países; defende a aproximação diplomática com adversários como a Birmânia e o Irã; e assevera que as diferenças com grandes países como a Rússia e a China são mais fáceis de resolver se negociadas por trás de portas fechadas.

"Devemos ser pragmáticos e ágeis na promoção de nossa agenda de direitos humanos, sem comprometer nossos princípios mas fazendo o que tenha mais chance de torná-los reais", disse a secretária de Estado Hillary Clinton em discurso na Universidade de Georgetown.

As declarações de Clinton surgiram uma semana depois que o presidente Barack Obama, ao receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, alertou que os países que brutalizem seus povos sofrerão consequências. Somados, os discursos parecem ser uma tentativa de responder às críticas de que o governo Obama não tem posição firme sobre os direitos humanos.

Mas enquanto Obama empregou um tom retórico elevado, Clinton optou por formas mais diretas de expressão. Ela ofereceu uma lista de exemplos sobre a forma pela qual os Estados Unidos poderiam afetar a mudança em países ao trabalhar com organizações que promovem a democracia, organizações multilaterais e empresas socialmente responsáveis.

Clinton também defendeu a relutância do governo em criticar publicamente a China e a Rússia por seus abusos contra os direitos humanos, dada a gama de interesses estratégicos que os Estados Unidos têm com relação a ambos os países. Críticas públicas, ela deu a entender, só servem no caso de países menores.

"Em certos momentos, teremos mais impacto ao denunciar publicamente a ação de um governo, como o golpe em Honduras ou a violência na Guiné", ela disse a um grupo de estudantes. "Em outros momentos, é mais provável que ajudemos os oprimidos ao nos envolvermos em negociações duras, por trás de portas fechadas, como por exemplo pressionar China e Rússia a acatar nossa agenda mais ampla".

"Em todos os casos", disse Clinton, "nosso objetivo será fazer diferença concreta, e não ganhar vantagem retórica".

Os grupos de defesa dos direitos humanos criticaram Clinton severamente por ela ter desconsiderado os direitos humanos em sua primeira visita à China, em fevereiro. Outros críticos expressaram frustração com relação à política sudanesa do governo, que eles dizem mais incentivar que punir um governo cujo líder está acusado de crimes contra a humanidade devido ao genocídio em Darfur.

Na última quinta-feira, um grupo de defensores dos direitos humanos se reuniu com o general James Jones, assessor de Obama, para expressar sua preocupação.

Na segunda-feira, Clinton disse que "devemos continuar a pressionar por soluções no Sudão, onde as tensões em curso ameaçam agravar a devastação causada pelo genocídio em Darfur". Ela insistiu em que o governo procuraria proteger as minorias étnicas no Tibete e na região chinesa de Xinjiang, bem como as pessoas que assinaram o Carta 08, um manifesto que pede por reformas democráticas na China.

A referência específica aos signatários do Carta 08 merece elogios, disse Tom Malinowsky, diretor da Human Rights Watch em Washington. Mas ele argumentou que o governo continuava errado em acreditar que a expressão pública de preocupações quanto aos direitos humanos de alguma forma solaparia o relacionamento entre Washington e Pequim.

"A percepção na China é de que os Estados Unidos estão confrontando menos o governo da China porque devemos dinheiro a eles", afirmou Malinowski. "Qualquer sinal de reticência quanto aos direitos humanos se torna uma metáfora de fraqueza americana".

Em termos gerais, porém, ele disse ter detectado sinais promissores na abordagem do governo quanto aos direitos humanos. Depois de vacilações iniciais, por exemplo, Obama encontrou um equilíbrio entre o apoio às metas da oposição iraniana quanto aos direitos humanos e a necessidade de evitar a impressão de que está se alinhando a qualquer das facções.

A situação evoluiu, disse Malinowski, de uma simples tentativa de aproximação diplomática para uma tentativa de aproximação acompanhada de ameaça de pressão caso a abordagem mais delicada fracasse.

Clinton demonstrou um de seus raros momentos de indignação no discurso ao discutir o estupro sistemático de meninas e jovens no Congo, país que ela visitou em agosto. Também criticou Uganda, onde está em debate um projeto de lei que faria do homossexualismo um crime.

Em seu discurso em tom discreto, Clinton mostrou marcado contraste para com o estilo que adotou ao discursar como primeiro dama em uma conferência da ONU sobre assuntos femininos realizada em Pequim, em 1995. Mas funcionários do governo disseram que o objetivo dela não era estabelecer uma postura retórica, mas sim um caminho para que os grandes temas do governo Obama possam ser implementados.

"O mundo ainda considera os Estados Unidos como uma força na defesa dos direitos humanos", disse Michael Posner, o secretário assistente de Estado para os direitos humanos. "Mas vivemos em um mundo no qual os governos em geral têm menos poder do que tiveram um dia. Precisamos lidar com o mundo tal qual ele é".

 
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