Um silêncio servindo de amém
O silêncio dos corruptos e dos corruptores, dos intolerantes e dos intolerados, dos racistas e dos discriminados, das prostitutas e de seus algozes, dos ladrões e de seus cúmplices, dos governantes e de seus governados. Este silêncio que nos atormenta. Esse grito preso na garganta. Essa pasmaceira de um povo marcado, que leva uma vida de gado marcado e feliz. De jovens drogados. Seres alienados. Cidadãos às margens da sociedade. Crianças abandonadas por seus pais e por toda sociedade, que por sua vez também os abandonaram.
Os ladrões de Brasília. Os fazedores de pizzas com seus ternos de grifes. Vossas excelências sem caráter. Governantes sem pudores e sem ética, eleitos não para governar, mas para roubarem o erário e o sonho do povo. Povo este que por sua vez se vende, movidos pela ganância do ter em detrimento do ser. Todos querem um pão grande para comerem num dia pequeno. Quanto menos farinha sirvam, meu pirão primeiro.
Em 92 tiraram o Collor. Chamaram-no de ladrão. E aí? Pararam de roubar? O rosário é grande: sanguessugas, mensalão mineiro, mensalão do DEM, escândalo da mandioca, (essa quem leva é o povo diariamente). É pizza.
É panetone e o povo morrendo de fome. Dilapidam a nação e roubam índios, negros, brancos, cafuzos, caboclos e mamelucos. Estamos todos malucos de tanto desmandos, injustiças e impunidades.
Na calada da noite, sorrateiramente, deputados distritais liberaram verba para o governador Arruda gastar como quiser. Foram $845 milhões de reais, inclusive com empresas comprometidas com esquema e sob investigação. Esses mesmos políticos que aparecem na TV e em toda a mídia atrás do povo e do voto, se esconderam atrás dos vidros escuros de possantes carros e saíram protegidos por tropas militares. Protegidos contra o eleitor que outrora ele foi ao encontro na busca do voto.
Diante de tanta roubalheira e impunidades, de políticos que compram votos, eleitores que se vendem, motoristas que subornam guardas, fiscais e funcionários públicos, o que nos resta esperar? Jovens estudantes que fraudam provas para passar sem estudar. É a mania nacional. Todos querem se dar bem e rápido. Como disse o Arruda em Brasília: “Se eu cair, todos caem.”. Ou seja, tá todo mundo de rabo preso, da favela nos morros às mansoes do Morumbi, dos flats da Barra da Tijuca às palafitas, dos trapiches amazônicos aos arranha-céus da Paulista. Tem culpa para todo mundo. Quando será o dia e a hora em que o povo se concientizará do poder do seu voto? Quando terão vergonha na cara e romperão esse silêncio e atuarão, não se deixando comprar por míseros bonés, latas de óleos, cestas básicas e promessas vãs de dias melhores?
Amanhã todos celebrarão o nascimento do homem menino de Nazaré. 24 de dezembro Noite de Natal, façam uma pausam os brasileiros daqui nos Eua e vocês do Brasil. Até quando este silêncio servirá de amém? Até quando seremos explorados por pseudos-líderes que apenas querem ser eleitos para poderem roubar muito e mais rápido? Até quando seremos coniventes e nos manteremos calados diante de tudo isso?
É Natal, à todos aqueles que creem e carregam o espírito dentro de si, os meus sinceros votos de felicidades. Que o Menino Jesus derrame sobre nosso povo a paz e o discernimento. Que nossos sonhos se tornem realidade. E que em 2010 rompamos a barreira do silêncio e paremos de dizer amém. |