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  Colunas . Léa Campos

30.12.2009 imprimir Imprimir
 

FIM DE NOVELA

A justiça brasileira às vezes brinca com os sentimentos e a inteligência do povo.

Foi assim no caso de Ronald Bigs. o mesmo com Glória Trevi, cuja morte da filha no Rio de Janeiro até hoje não foi esclarecida e o corpinho da bebê jamais foi encontrado. O caso do italiano  Battisti, condenado na Itália por assassinato, deixou o Supremo numa tremenda saia justa e agora o caso do garotinho Sean Goldman está colocando em xeque a autoridade do nosso Supremo.

Um tribunal que está perdendo o moral diante do país, o caso do então Ministro Palloci que deveria ter sido indiciado, na pior das hipóteses, por abuso de poder quando mandou abrir o sigilo bancário de um humilde e pobre caseiro, terminou em pizza. O caso do banqueiro Dantas que inclui até lavagem de dinheiro já começa a ser dissolvido e em pouco tempo será perdoado. O Mensalão de Ali Babá e os 40 Ladrões em breve será arquivado por decurso de prazo.

Hoje volto a escrever sobre o garotinho americano que foi praticamente sequestrado pela mãe, que disse ao marido que iria passar uns dias de férias no Brasil onde se casou com outro e algum tempo depois morreu no parto de outra filha.

A partir de então a vida do menino se transformou num inferno. De um lado o padrasto e a avó do menino, do outro lado o pai biológico que tem todo o direito do mundo de levar o filho e criá-lo.

A avó quer que o garoto diga em juízo com quem quer ficar: se com a família brasileira ou com o pai nos EEUU.

A história de Sean se assemelha com a do cubano Elian Gonçales, que depois de sobreviver a um naufrágio de uma balsa, onde perdeu a mãe, se transformou numa questão de honra para Cuba levá-lo de volta ao país dos irmãos Castro.

Apesar de Elian gritar aos quatro cantos que queria ficar com os primos em Miami, o FBI com armas em punho invadiu a casa onde estava o menino, colocando a vida de todos em risco, o levou para Washington entregando-o a seu pai e hoje se encontra em Cuba seguindo a doutrina comunista.

Sean tem que voltar para seu país e viver com o pai, que verdadeiramente é o único parente biológico do garoto. Sean não é órfão de pai e a mãe dela agiu capciosamente. Não foi honesta com o pai do filho dela. Mentiu levando o garoto.

Os parentes brasileiros são apenas isso parentes, enquanto David Goldman é o pai.

O governo e a justiça de nosso país precisam aprender a respeitar as leis e os tratados internacionais ou se tornar de uma vez por todas um estado comunista, onde a única voz ouvida é a do presidente, como acontece na Venezuela e em outros países sob o mando de ditadores civis e militares.

A avó do garoto, Silvana Bianchi, disse em entrevista: “Ele, ( o menino), está muito triste, não queria ir. Gilmar Mendes cassou o direito dele de se expressar. O direito dele de abrir a boca e dizer que não queria ir. Dentro do país dele não será respeitado, ( que evidência ela tem disso?), aqui dentro tem a lei da mordaça, trocou a criança por um acordo financeiro e econômico” (?).

Muitos por não entenderem de leis comparam os casos de extradição com o caso de Sean. O garoto não foi extraditado, foi repatriado, são casos diferentes com leis distintas. O tratado de Haia determina que se extradita uma pessoa quando é pedida por algum crime em seu país de origem ou por alguma condenação. O crime no caso de Sean foi cometido pela mãe, que com mentiras tirou o menino dos EEUU   e no Brasil se casou novamente. Foi rápida a decisão de casar-se novamente. Em menos de 5 anos se divorciou de David, se casou e teve filhos, morrendo de parto. Foi tudo muito rápido para pensar que ela não conhecia o segundo marido.

A avó de Sean pode falar o que quiser sobre nossas leis, nossa justiça e nossos juízes, mas se começar a inventar o mesmo sobre os EEUU ela poderá encontrar o que não guardou.

Feliz Natal Sean e David, que Papai Noel o presenteie neste Natal em New Jersey com muita neve para você brincar.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
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