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  Notícias . Brasil

13.01.2010 imprimir Imprimir
 

Consumidor não terá vantagem com redução de álcool na gasolina, dizem especialistas

A redução da quantidade de álcool misturado à gasolina não deve trazer vantagens para o consumidor, segundo especialistas e sindicatos ligados ao comércio de combustíveis. Independente do veículo ser movido a álcool ou gasolina - e principalmente aqueles que podem receber os dois -, a medida não deve significar alívio no bolso dos motoristas.

Apenas o próprio governo se mostrou confiante em uma redução nos valores do álcool e da gasolina. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou, na segunda-feira, que com a maior quantidade de álcool no mercado, os preços devem cair.

- A gasolina é mais cara. Mas a diferença será tão pequena que, havendo redução no preço do álcool, compensará no caso da mistura. [A gasolina] não vai ficar mais cara. A tendência é ficar mais barata, uma vez que deverá cair o preço do álcool - disse o ministro.

No entanto, as previsões de sindicatos ligados aos postos de combustíveis apontam para o contrário. Para quem tem carro a gasolina, os revendedores alertam para um acréscimo no preço de R$ 0,08 a R$ 0,10 por litro, ou seja, uma alta de até 3,9%, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro-SP). No Rio Grande do Sul, a última vez que o governo adotou essa medida, o preço da gasolina subiu 5%, o que hoje representaria R$ 0,12 a mais no valor do litro.

Se o veículo for movido a álcool, a redução da quantidade de etanol na mistura pode significar uma redução gradual no valor do álcool hidratado, aquele está na bomba do posto. Isso porque com a menor necessidade de álcool anidro (sem água) para ser adicionado à gasolina, é possível se produzir mais álcool hidratado e, portanto, aumentar a oferta. Segundo o governo, hoje o álcool é caro porque há falta de matéria-prima no mercado. Mas essa redução não deve ser sentida de imediato e nem está garantido que ela aconteça, uma vez que não há certeza de que a medida do governo dará resultados práticos.

Para os carros flex, a redução, sozinha, não vai tornar o etanol mais vantajoso que a gasolina, levando em conta a diferença no desempenho do veículo. Continuará valendo mais a pena abastecer com o derivado de petróleo que com o de cana. O efeito mais imediato da medida será, mesmo, afastar a possibilidade de desabastecimento, negado pelo governo, mas admitido entre os sindicatos.

- O papel do pessoal do setor é mesmo negar, mas há indícios de que o risco existe, sim. Liberando álcool anidro é possível oferecer mais hidratado, utilizado pela maioria dos novos carros do país. Como não falta gasolina, talvez seja o mais prudente - analisa Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-etrutura (Cbie).

Técnicos do governo, que preferem não se identificar, calculam que, se nenhuma medida for tomada, o preço da gasolina na bomba poderá subir de 2% a 2,5%. Isso porque as distribuidoras terão de comprar mais gasolina do que antes para compensar a falta de álcool anidro na mistura. Assim, o custo total do produto tende a subir, porque a gasolina é mais cara.

- O consumidor precisa se acostumar com o álcool como um combustível sazonal. Entre dezembro e março é entressafra, e o preço sobe - avaliou Alísio Vaz, vice-presidente-executivo do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom).

Na avaliação do executivo, mesmo com a redução na mistura, o preço do álcool continuará subindo nos postos, apenas em ritmo menor.

 
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