Pressionado, líder de Honduras se afasta
A seis dias da posse do presidente eleito, Porfirio Lobo, marcada para a próxima quarta-feira, o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, cedeu à pressão internacional, principalmente dos Estados Unidos. Ele afirmou na quinta-feira que, sem renunciar ao cargo, abandonará a presidência temporariamente – e não deve participar da cerimônia de posse do eleito.
– Este é meu último dia na presidência... me retiro para minha casa pela paz da nação e porque não quero ser um obstáculo para o novo governo – afirmou Micheletti.
Ele disse que, nos próximos dias, somente presidirá uma reunião do conselho de ministros, que ficará à frente da administração.
– Nos próximos dias ficarei de lado, para que o novo governo tenha mais espaço para atuar. Não renuncio ao cargo, só me afasto temporariamente – esclareceu.
Uma atitude similar foi adotada por Micheletti uma semana antes das eleições de novembro, das quais Lobo se saiu vencedor. Micheletti disse que pode retornar, caso as circunstâncias o exijam. Apesar de demonstrar uma mudança de postura, ele deixou clara a sua posição contra Manuel Zelaya, o presidente derrubado em junho de 2009:
– Apenas cumpri minha missão de salvar Honduras de um homem que tentou mudar o destino democrático do país... e o impedimos com o gesto de 28 de junho.
Acusado de tentar aprovar a reeleição – o que é proibido pela Constituição hondurenha –, Zelaya foi derrubado pelas forças armadas e mandado para a Costa Rica. Em seguida, Micheletti foi designado pelo Congresso como presidente. O país foi expulso da Organização dos Estados Americanos (OEA) após o golpe. Zelaya retornou em 21 de setembro a Honduras e desde então está refugiado na embaixada do Brasil.
Na quarta-feira, foi anunciado um acordo pelo qual Lobo, assim que assumir, dará um salvo-conduto a Zelaya, permitindo que ele deixe a embaixada e vá para a República Dominicana. |