E tudo começou 350 anos depois de Cristo
A quaresma começa hoje logo após os festejos da carne. O carnaval das fantasias, delírios e profanidades. Cada qual à seu modo. Cada um à sua maneira. Foram quatro dias de muita farra e muita liberdade com libertinagem. Cada um com seu jeito e vontade saiu às ruas com um grito de festa preso a garganta.
No nordeste os maracatus de baques soltos e virados, troças e caboclinhos, frevo no pé, marchas e folguedos mil. Os blocos afros da Bahia por onde passaram irradiaram alegria. No sul maravilha as escolas de samba e do povo com seus destaques, paradinhas e mulheres nuas invadiram as ruas das duas principais capitais brasileiras. Não faltou samba no pé na terra de um povo de fé. Fé de que um dia tudo será melhor e que amanhã será outro dia.
E o povo brasileiro espera este outro dia com muita fé em Deus e no coração. Fé em que os homens terão vergonha na cara e boa vontade para com o povo e suas necessidades. Na Bíblia o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que seguem, significam o tempo de nossa vida na terra, nossas provações e dificuldades. A duração da quaresma está baseada no símbolo deste número. O dilúvio durou quarenta dias. As chuvas que massacraram São Paulo, quarenta e sete. O povo judeu peregrinou pelo deserto quarenta anos, Moisés e Elias passaram quarenta dias nas montanhas. Jesus, o salvador passou quarenta dias no deserto antes de começar sua vida pública. O povo judeu passou 400 anos no deserto do Egito e o povo brasileiro já sofre há mais de 500 anos com todo tipo de agrura: da colônia à escravidão negra, a corrupção e os crimes do colarinho branco dos dias atuais.
Quando a igreja aumentou para quarenta dias a quaresma, 350 anos depois de Cristo, visava dar mais tempo aos homens para que neste período pudessem se dedicar: à oração, à penitência e à caridade, coisa que deveríamos fazer todos os dias de nossas vidas. Mas conforme estamos vendo e vivenciando, ficou apenas na vontade, pois os homens de má vontade de Brasília e de várias partes do Brasil apenas se preocupam no amealhar de fortunas, para fazer caridade aos seus. Orar pelo próprio bolso como fez a turma do Arruda e vimos em Rede Nacional e fazerem a caridade do terço: a terça parte de todas as verbas públicas para que os mesmos cuidem dos carentes. Os carentes das suas próprias famílias e das suas casas. Carentes de carros importados, TV de plasma, roupas de grifes, viagens ao exterior e outras coisas divinais como scargot em Paris e champanha francesa às margens do Mar Mediterraneo.
E eles, os corruptos, não ficam vermelhos, como o mar, nem como suas meias , cuecas e bolsas como as usadas para ocultar o “suado” fruto da corrupção que teimam em dizer que era para os panetones. Oxalá nessa quaresma, que as coisas mudem para o bem de todos e felicidade geral da nação! Que Arruda não escorregue no meio dos dedos como água de cheiro, Já que muita coisa cheira mal do Oiapoque ao Chuí. E que tudo não termine em mais uma nova receita do Planalto Central: pizzatone com molho de pequi. |