Tudo passa, tudo sempre passará…
Pois é tudo mudou. Ao andarmos pelas ruas de nosso bairro, falarmos com as pessoas, vemos nos olhos e sentimos nas vozes pausadas e sem brilho a tristeza do momento pelo qual passamos, a falta de perspectivas em todas as áreas. Os outroras poderosos “empresários”, hoje lamentam e ficam com um olhar perdido no horizonte, na esperança de que volte o cliente que se foi, os dias de glória e glamour onde todos eram ricos e importantes.
Todo mundo tinha companhia. Eu mesmo pensei em abrir uma de construção. Até me preparei pra isso: comprei uma escada sem degraus, um compressor sem compressão, uma van sem motor, um martelo sem cabo, um celular sem célula, fiz cartões sem números. Enfim, tudo o que a maioria dos grandes “construtores da comunidade” alegam ter, como tenho problemas de coluna, mudei de ideia e resolvi mudar pro ramo da limpeza. Afinal se todo mundo tem uma companhia de limpeza, eu também poderia ter uma. Comprei um aspirador sem vácuo, uma vassoura sem cabo , um balde furado e otras cositas mais. Também não deu certo.
O bom dessa crise é que ela ajudou a baixar a bola, derrubar a máscara de muita gente metida a besta e arrogante, que se autointulava empresário, donos e donas de companhias, poderosos exploradores de plantão, que durante certo tempo encheram os bolsos, às custas da exploração da mão de obra de imigrantes ilegais recém chegados com um saco de dívidas às costas e que topavam qualquer coisa na luta pela sobrevivência. Pseudos líderes exploradores, que ao venderem o feijão e o arroz de cada dia, sugaram a comunidade até o limite da exaustão.
Mas aí eis que de repente veio a democrática e avassaladora crise, que como um Tsunami econômico abalou os alicerces de uma economia feita à base da exploração de tudo e de todos. Por falar em alicerces, recordo das foundations, base para todas as casas e alicerces da construção civil, uma das molas mestras da economia comunitária. Há tempos atrás em nossas ruas e restaurantes era só engravatados e homens enternados, leia-se de ternos, senhoras de taieurs, enfim, todos vendiam casas e faziam hipotecas, as chamadas mortgages.
Os estacionamentos dos restaurantes viviam repletos de Lexus, Audis, Infinitys, Mercedez e BMWs, mas veio a crise e lá e foi a farra do boi do mercado imobiliário. Onde estão todos? O povo só falava em milhões. O cardápio era lagosta, blue label, vinho do porto e caviar. Parafraseando o malandro Dicró das noites globais no Fantástico Plim Plim da Vida tinha gente que dizia: “Se fui pobre nem me lembro “ . Pois é galera, o bicho pegou e a casa caiu. Outras não cairam, mas se foram. Depois da tempestade, só nos resta esperar dias melhores, que com certeza eles estão a caminho, mas nada será de novo como já foi um dia. Os “empresários“ outrora poderosos, hoje páram e ficam a pensar nos bons tempos de exploração e glamour e no salve-se quem puder. O que tem de gente rezando e pedindo aos céus, só nos resta dizer: tudo passa, tudo sempre passará. |