Jornalistas: odiados por uns, amados por todos
Oficialmente o dia do jornalista é comemorado em 29 de janeiro, mas jornalista não tem dia e nem hora, ao contrário do poeta, nós não fazemos e sim esperamos acontecer. É uma missão das mais difíceis de cumprir e uma das profissões mais perigosas do mundo. Segundo a Organização Reporter Sem Fronteiras, 42 colegas foram mortos só no ano de 2003. Outros 766 estavam presos. O artigo 19 da Declaração Universal Dos Direitos Do Homem estabelece normas para a liberdade de expressão e de imprensa. Liberdade essa nem sempre respeitada, principalmente em países e por pessoas que desconhecem o sentido da palavra liberdade, seja de que espécie for.Cada profissão tem seu prumo e seu rumo, o nosso consiste em obedecer e seguir as seguintes regras:
• "o quê" - o fato ocorrido
• "quem" - o personagem envolvido
• "onde" - o local do fato
• "quando" - o momento do fato
• "porquê" - a causa do fato
• "como" - o modo como o fato ocorreu
É óbvio que como seres humanos somos passíveis de falhas e nem todos leem pela mesma cartilha, mas todos quando querem minutos de glória e de fama logo sorriem e se aproximam de uma câmera ou de um microfone, viram os reis da simpatia e da solicitude, porém na hora em que o caldo entorna, o primeiro a ser caçado e taxado de culpado é o jornalista e a imprensa como um todo.
Apesar dos holofotes e do glamour posso afirmar que assim como jogadores de futebol, jornalista é uma profissão onde poucos ganham muito e muitos ganham pouco. A profissão foi regulamentada por lei em 9 de fevereiro de 1967 em plena ditadura, época em que muitos colegas derramaram o sangue pela liberdade na Terra Brasilis sob o comando dos coturnos e das baionetas caladas. Por lei temos o direito de preservar em segredo a identidade de nossas fontes, mesmo quando interpelado judicialmente. Mas nada disso é facil, mesmo assim seguimos informando e levando pedradas, porém a sociedade precisa e merece nosso sacrifício e é graças ao trabalho dos jornalistas que estamos contruindo uma sociedade mais justa.
A jornalista Sandra Annemberg, apresentadora do Jornal Hoje, entrou no rol das mais comentadas, após uma volta ao vivo no jornal tecer o seguintes comentários, (um sobre a violência no Brasil e o segundo sobre as joias devolvidas pela ressaca do mar): "Quero crer que o que está sendo devolvido pelo mar seja devolvido também para os donos que perderam", disse. Comentário sobre as pessoas que pegavam joias nas areias da praia. E o segundo foi após a exibição de uma reportagem sobre mortes relacionadas a roubos de carros, na qual um entrevistado pedia que as pessoas não estacionassem "Em local ermo e mal iluminado, se possível", Sandra comentou: "Se possível que tenha mais segurança também".
Pasmem, boa parte dos telespectadores não gostaram dos comentários, ou seja, o povo não gosta de ouvir a verdade ou ao menos parte deles não gostam.Só me resta dizer gostando ou não, os bons profissionais com caráter e consciência da missão que executam jamais se calarão diante de qualquer fato. Essa é a nossa missão. Este é o nosso dever, pois assim como um médico, também podemos com um texto, uma locução ou uma simples frase salvar muitas vidas. Doa a quem doer, o bom jornalista só tem um compromisso: com a verdade dos fatos. Que subam os créditos e entre a vinheta. |