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19.05.2010 imprimir Imprimir
 

"Brasil é independente da arrogância dos EUA"

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse neste domingo, após um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Teerã, que o Brasil adotou posições independentes contra as "políticas arrogantes" dos Estados Unidos.

Segundo a agência de notícias oficial iraniana IRNA, o aiatolá disse que o Irã "acolhe" a ampliação da cooperação mútua com o Brasil no nível internacional. Lula e Khamenei encontraram-se neste domingo. A reunião também teve participação do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Na nota divulgada pela agência oficial iraniana, Khamenei agradece a presença do presidente Lula, mas não faz nenhum comentário sobre as negociações em relação ao programa nuclear iraniano. Lula foi à Teerã apresentar uma proposta do Brasil e da Turquia para evitar que o Irã receba sanções do Conselho de Segurança da ONU, no impasse gerado pelo seu programa nuclear.

Independência

"O Brasil adotou posturas independentes ao negociar com as políticas arrogantes dos Estados Unidos nos últimos anos", disse Khamenei após o encontro com Lula, segundo a agência de notícias IRNA. "A República Islâmica do Irã acolhe completamente a ampliação da cooperação mútua com o Brasil em níveis mutuais e internacionais."

Khamenei disse que Estados independentes devem cooperar entre si para mudar as "injustas equações" globais. "Nós acreditamos que os países que foram marginalizados ao longo dos últimos 200 anos devido às políticas ilógicas de potências agressivas podem ter um papel fundamental no desenvolvimento global."

Segundo a IRNA, o aiatolá destacou que o Brasil fez "grande progresso" nos últimos anos e que o país é o "maior e mais influente" da América Latina. O aiatolá pediu a expansão das relações entre Brasil e Irã e uma reforma da ONU.

A agência afirma que, ao comentar a "postura do Irã diante dos assuntos internacionais", Khamenei disse que "o Brasil acredita que é direito legítimo da nação iraniana e do seu governo de defender sua independência e desenvolvimento pleno".

Após o encontro com Khamenei e Ahmadinejad, Lula seguiu para seus outros compromissos no domingo, que incluem uma reunião com o presidente da Assembleia Consultiva Islâmica, Ali Larijani, e um encontro com empresários iranianos e brasileiros. À noite ele participa de um jantar oferecido por Ahmadinejad.

O ministério das Relações Exteriores disse à BBC Brasil que a coletiva de imprensa que estava programada para acontecer após o encontro com Ahmadinejad não foi realizada, e que não há previsão se Lula e Ahmadinejad falarão à imprensa neste domingo.

Impasse nuclear

Lula foi ao Irã para apresentar uma proposta do Brasil e da Turquia para evitar que o Irã seja alvo de sanções internacionais.

O Conselho de Segurança da ONU pretende adotar novas sanções contra o Irã, já que alguns integrantes do Conselho - como os Estados Unidos - desconfiam das intenções do governo de Teerã quanto ao seu programa nuclear.

O governo iraniano sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos, e que o país não pretende desenvolver armas nucleares. O Brasil e a Turquia elaboraram um plano que foi levado por Lula a Ahmadinejad. Na sexta-feira, em encontro com Lula em Moscou, o presidente russo, Dmitri Medvedev, disse que a proposta do Brasil e da Turquia seria a última chance do Irã de evitar as sanções da ONU.

A base da proposta turca e brasileira continuaria sendo o plano da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), do final do ano passado, que prevê o enriquecimento do urânio iraniano em outro país em níveis que possibilitariam sua utilização para uso civil, não militar.

Na segunda-feira, o presidente participa de uma reunião do G15, um grupo de cooperação entre países em desenvolvimento não-alinhados. Além de Brasil e Irã, participam do G15 Argélia, Argentina, Chile, Egito, Índia, Indonésia, Jamaica, Malásia, México, Nigéria, Quênia, Senegal, Sri Lanka, Venezuela e Zimbábue.

Antes de embarcar para o Irã, em Doha, no Catar, Lula disse não entender o ceticismo da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre a possibilidade de o Irã mudar sua postura sobre o seu programa nuclear através do diálogo.

 
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