POPULISMO
Lula dá as voltas necessárias para manter sua falsa popularidade, quem não o conhece o compra facilmente.
Não dá para entender que não se pode dar ao aposentado o que ele pagou para ter direito e vai presentear os ex-campeões mundiais.
Demagogia barata. Caça votos.
A bolsa esmola já não é suficiente para angariar votos, agora correrá atrás das viúvas de jogadores que estão em dificuldade para comprar a consciência de eleitor.
Projeto do governo dá pensão especial a campeões mundiais
No mesmo dia em que deu a animadora demonstração de compromisso com a racionalidade – autorizou a equipe econômica a aumentar de R$ 21,8 bilhões para
R$ 31,8 bilhões o corte nos gastos públicos para ajudar a evitar a volta do descontrole da inflação – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou atestado de que suas decisões não estão livres de ser conduzidas pela emoção e pelo apelo eleitoral de certos atos. Deixou-se convencer pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr., a enviar mensagem ao Congresso Nacional encaminhando projeto de lei que institui pensão especial de no mínimo R$ 3.426 mensais, (o teto do benefício pago pela Previdência), aos ex-jogadores titulares e reservas que foram campeões mundiais com as seleções de 1958, 1962 e 1970. Além desse benefício, a cargo do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, o projeto prevê o pagamento de um prêmio especial de R$ 100 mil a cada um desses beneficiados, a ser pago de uma só vez pelo Ministério dos Esportes.
A idéia teria surgido de um dos improvisos do próprio Lula, nas comemorações dos 50 anos da conquista do título na Suécia em 1958. Foi o presidente informado de que, diferentemente dos salários milionários de hoje, alguns craques daquela época, embora tenham sido remunerados por seus clubes e pela então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), enfrentam dificuldades financeiras. “Um país de 190 milhões de pessoas não tem o direito de permitir que os poucos que conseguiram enaltecer a alma de nossa gente no mundo não mereçam o reconhecimento do Estado brasileiro. Vamos fazer essa reparação. Não é sempre que conseguimos produzir heróis”, disse Lula na ocasião. No país do futebol, que julga ser sua Seleção a própria pátria de chuteiras, praticamente não há quem não reconheça mérito nesses vencedores do esporte mais popular do mundo. É evidente o reconhecimento da maioria dos brasileiros, agradecidos pelos momentos de orgulho, autoestima e alegria que esses jogadores proporcionaram.
Mas o governo de um país que se pretende sério não se faz movido pela compaixão. Nem o passado de glória esportiva, nem o presente de eventuais dificuldades dos campeões, ou pior ainda a proximidade das eleições, justificam comprometer o dinheiro público com a solução de casos individuais, pois virá sempre em prejuízo do coletivo. Essa benevolência será dada também às famílias dos que perderam suas vidas na guerra? Os atletas olímpicos e os lutadores de boxe estarão incluídos?
Bastará consultar o bom senso, que não tem faltado ao próprio Lula em relação às grandes linhas da política econômica. Verá então o presidente que melhor do que correr o risco da aprovação do projeto pelos candidatos a continuar no Congresso, será retirar de lá essa insensata proposta. Imediatamente.
Presidente Lula faça alguma coisa que realmente beneficie o brasileiro como um todo, para que possa ser lembrado no futuro como presidente do Brasil e não ganhador de prêmios comprados com o erário público.
Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação. |