MOBILIZAÇÃO PELA PAZ
Fatos recentes no panorama internacional tornaram aguda a discussão sobre os caminhos para a paz. No momento em que se realizava na ONU a reunião sobre um novo Tratado de Não Proliferação Nuclear, em que ocorrem tentativas de encontrar caminhos objetivos para a ameaça iraniana e em que se consolida a ascensão de novos atores internacionais, entre eles o Brasil, também acontecia no Rio de Janeiro, no fim da semana, o 3º Fórum da Aliança das Civilizações. Com seis anos de existência, essa Aliança, que triplicou seu tamanho em relação aos 40 países que a integravam inicialmente, defende princípios que deverão comandar o sistema multipolar de poder que começa a se desenhar neste início de milênio. São eles, entre outros, o do multilateralismo e o consenso nas questões internacionais. Trata-se de uma espécie de volta às origens de organizações como a Liga das Nações e a ONU, numa tentativa de garantir plataformas de paz para um mundo ainda dividido em relação a interesses econômicos, poder hegemônico, barreiras culturais, confissões religiosas e outros fanatismos.
A aposta que está em causa promove grandes questões que a comunidade internacional, às vezes em razão do varejo das relações bilaterais ou regionais, acaba por esquecer ou desprezar. Ao contrário de um choque de civilizações, que parece a grande ameaça deste momento mundial, a busca é de uma aproximação, de uma aliança, entre as civilizações, aí entendidas as culturas que vão desde a populosa China, o misterioso Islã, a turbulenta Europa, a poderosa América do Norte até as nações emergentes no Oriente e no Ocidente. O passado recente e as condições da atualidade mundial mostram distorções que precisam ser eliminadas em nome da construção de um mundo baseado na verdade, na justiça, na solidariedade e na confiança. Agora mesmo, em meio a ameaças de confronto na Península Coreana, na polêmica em torno do acordo nuclear com o Irã, na persistência da instabilidade no Oriente Médio e na busca de políticas que deem ao planeta diretrizes seguras para a estabilidade financeira e para a redefinição do poder global, é compreensível que os vários atores defendam posições nem sempre consensuais. O que a comunidade mundial precisa conquistar é uma aliança em relação aos princípios que fundamentam a paz e que possibilitarão um futuro capaz de dar a todos os povos, de todos os continentes, condições de melhor qualidade de vida, crescimento cultural, respeito às diferenças e avanços políticos e tecnológicos. A intransigência e a prepotência não podem ser consideradas ferramentas num mundo que quer paz e que precisa dela.
Neste sentido, a países como o Brasil, com sua tradição de tolerância, pode estar reservado um papel decisivo no mundo novo que surge no horizonte da História.
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