Blair anuncia que Israel aceitará suavizar o bloqueio a Gaza
Israel se dispõe a permitir maior entrada de mercadorias na Faixa de Gaza, como exige a comunidade internacional, depois do ataque a flotilha de ajuda humanitária destinada a seu habitantes, anunciou nesta segunda-feira o enviado especial do Quarteto, Tony Blair.
"Falei com o primeiro-ministro israelense (Benjamin Netanyahu) e chegamos a um acordo de princípio" para permitir maior entrada de bens a Faixa de Gaza, submetida ao bloqueio israelense desde meados de 2007, informou Blair aos chanceleres da União Europeia reunidos em Luxemburgo.
"O Estado hebreu manterá o bloqueio a armamentos e demais materiais de combate, mas está preparado para permitir a entrada de bens necessários à vida diária das pessoas" acrescentou o enviado especial do Quarteto (Estados Unidos, UE, Rússia e ONU) no Oriente Médio.
Israel havia sido alvo de fortes pressões internacionais para que levantasse o bloqueio, depois do ataque militar, do dia 31 de maio, em águas internacionais contra a flotilha humanitária que se dirigia a Gaza, matando nove ativistas.
Fontes diplomáticas europeias destacaram, ainda nesta segunda-feira, que o Estado hebreu está preparado para ir além e facilitar a entrada de novos produtos na Faixa de Gaza através do estabelecimento de dois postos de controle terrestres na fronteira com o território palestino.
"As indicações procedentes de Israel mostram que as autoridades têm vontade" de rever a lista de produtos que podem ou não entrar, segundo as fontes.
Os postos de fronteira por onde entrariam essas novas mercadorias seriam instalados em Karni (norte) e Kerem Shalom (sul), com as Nações Unidas se encarregando de fazer as "verificações", enquanto que a União Europeia daria "apoio financeiro".
Segundo um informe publicado recentemente por uma organização não governamental israelense, as autoridades de Israel só permitem a entrada de 97 produtos no enclave - antes do bloqueio, eram mais de 4 mil produtos.
A situação na Faixa de Gaza é "insustentável", lamentaram nesta segunda-feira em uma declaração os chanceleres da UE.
O bloco voltou a exigir a abertura "imediata" e "incondicional" dos pontos de acesso para possibilitar o trânsito de "ajuda humanitária, bens comerciais e pessoas que pretendem sair e entrar na Faixa", ao mesmo tempo em que defendeu uma solução que permita "atender as preocupações legítimas de segurança" de Israel. |