Jogo expõe opções limitadas do Brasil
O empate por 0 a 0 com Portugal, ontem, mostrou a Dunga de forma clara que suas opções no grupo são bastante limitadas.
O jogo mais esperado da primeira fase do Mundial terminou sob justas e merecidas vaias de boa parte dos 67.712 pagantes que foram ontem ao belíssimo Estádio Moses Mabhida, em Durban. Para os brasileiros, as vaias devem importar muito menos do que a pálida exibição do time.
Kaká, ausente ontem por suspensão, faz falta, mesmo sem estar na plenitude de sua forma física e técnica. Júlio Baptista é dedicado, lutador, mas é até injusto dar a ele a responsabilidade da criação. Robinho, mesmo irregular, é importante para o time. Não jogou ontem por causa de um leve desconforto muscular. Nilmar fez bom primeiro tempo, mas depois caiu assustadoramente de produção.
Ontem, no segundo tempo, quando o meio ficou com apenas um titular, Gilberto Silva (que abusou dos erros de passes), o Brasil foi dominado por Portugal. A situação era tão grave que em vários momentos o zagueiro Lúcio tentou armar o jogo.
Sem contar que Dunga deve ter percebido o quanto é temerário ter um jogador como Felipe Melo em uma Copa. O volante abusou das faltas e foi substituído por Josué na primeira etapa.
Não se pode dizer, porém, que o Brasil só teve coisas ruins. O primeiro tempo da seleção de Dunga foi razoável, pela firmeza defensiva e, principalmente, pela boa partida do lateral-direito Maicon. Evitar os avanços do jogador da Inter de Milão foi uma das grandes preocupações do treinador português Carlos Queiroz. Tanto que mandou às favas o espetáculo e a fantasia que havia exaltado anteontem e tratou de jogar para não permitir o contra-ataque do Brasil e garantir a vaga, objetivo conseguido com o empate. Pôs o lateral-esquerdo como ala pensando em anular Maicon e fez o mesmo com Danny pelo lado de Michel Bastos, que se anulou sozinho.
Não deu certo, ele chegou a inverter os jogadores de lado, mas foi inútil. Maicon subiu bastante, assessorado muitas vezes por Daniel Alves, e de seus pés saiu a maioria das jogadas ofensivas.
O lance mais perigoso, porém, não teve a presença do lateral. Ocorreu quando Luís Fabiano cruzou da direita e Nilmar, do outro lado, acertou o travessão. Os dois atacantes, aliás, precisaram voltar muito para buscar a bola, pois ela não chegava.
Na etapa final, Queiroz decidiu ser mais ousado. Portugal cresceu e passou, senão a sufocar o Brasil, a ter o domínio da partida. Maicon, com Simão às suas costas, não conseguiu mais espaço para subir. Os portugueses criaram algumas chances, perderam um gol incrível com Raul Meireles após raro erro do capitão Lúcio. Mas demonstraram contentamento com o empate, assim como os brasileiros. |