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14.07.2010 imprimir Imprimir
 

Sobe para 74 o número de mortos em duplo atentado

Ao menos 74 pessoas morreram na noite de domingo em um duplo atentado contra dois restaurantes que exibiam a final do Mundial da África do Sul 2010 em Campala, a capital de Uganda, informou a polícia, que atribui a autoria dos ataques a milícias somalis shebab, ligadas à Al-Qaeda.

Este duplo atentado é o mais mortífero já cometido na África Oriental desde os ataques contra as embaixadas americanas de Nairóbi e Dar es Salaam, realizados por membros da Al-Qaeda e que custaram a vida de mais de 200 pessoas em 7 de agosto de 1998. Anteriormente, o saldo de mortos era de 64 e de feridos 65.

— As nacionalidades das vítimas serão comunicadas mais tarde — declarou à AFP a porta-voz da polícia, Judith Nabakooba.

As duas bombas explodiram em um restaurante etíope do sul da capital ugandesa e em um clube de rúgbi do leste da cidade enquanto muitas pessoas acompanhavam a partida entre a Espanha e a Holanda.

— Só queríamos ver a partida, e infelizmente fomos para a área etíope — declarou no hospital Chris Sledge, um jovem de 18 anos, que sofreu ferimentos graves nas pernas e em um olho.

O chefe da polícia, Kale Kayihura, vinculou o duplo atentado às ameaças feitas recentemente por rebeldes islamitas Shebab na Somália contra Uganda e Burundi, dois países que enviaram um total de 6 mil soldados para a força de paz da União Africana na Somália (AMISOM).

Os shebab, que controlam a maior parte da Somália, consideram que se trata de uma força de ocupação. A AMISOM foi posicionada em março de 2007 e atualmente sua principal missão consiste em proteger o frágil governo provisório que dirige o país desde janeiro de 2009.

— Como sabem, houve declarações por parte dos shebab e da Al-Qaeda. O terrorismo é uma ameaça nos dias de hoje. Vocês conhecem a região em que estamos e nosso compromisso na Somália. Evidentemente, trata-se de terrorismo — declarou Kayihura na noite de domingo.

A União Africana (UA) também classificou o ocorrido de "ato terrorista (que) deve ser condenado nos termos mais fortes".

Em 5 de julho, o chefe dos shebab, Ahmed Abdi Godane, pediu aos somalis que se unam para expulsar a AMISOM do país. Nesse mesmo dia, a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), que reagrupa seis países da África Ocidental, decidiu mobilizar rapidamente 2 mil homens adicionais na AMISOM para aumentar o número de efetivos até 8 mil.

 
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