Abandonados pela pátria que nos pariu
Desde os primórdios da nação brasileira que o povo é deixado de lado e usado como massa de manobra de grupos de pessoas, empresas e políticos. Nós, o Zé Povinho, partículas do povão esperneamos e gritamos como em casa de pobre, onde todos gritam e ninguém tem razão. Quando a farinha é pouca, todos querem seu pirão primeiro.
Nós brasileiros há tempos fomos abandonados pela pátria mãe, nem sempre gentil, em várias partes da nação de 8 milhões de quilometros quadrados, o abandono é visível a olho nú. Em todas as classes sociais, brasileiros de todas as cores, pois a raça é uma só, raça humana à qual todos nós pertencemos, índios, negros, brancos, cafuzos, mamelucos, caboclos, há anos vivemos no abandono. Na busca por dias melhores uns migram do norte para o sul e do nordeste para o sudeste, Severinos, Raimundos, Marianas e Carmelitas e vários Josés como eu, uns se foram nos itas do norte, no pau de arara, na estrada da vida seguiram rumo ao sul com a força da grana que constroi e destroi coisas belas.
O povo miscigenado, usado e abandonado, nas palafitas, barracos, trapiches, favelas e viadutos, uma nação de alma maltrapilha como o exército de Brancaleone, autênticos miseráveis dignos de um Victor Hugo, um povo feliz e orgulhoso, lutador e trabalhador na esperança de que como diz a Bíblia, o amanhã será um melhor dia e o grande arquiteto da vida e do mundo proverá o abrigo e o pão de um novo dia. Mas muitos não aguentaram esperar o novo dia sob os trópicos e as estrelas do Cruzeiro do Sul e numa cauda de cometa, uns pelas baionetas caladas dos anos de chumbo, outros de livre e expontânea pressão, na busca de dias melhores se auto exilaram mundo afora e lá saímos nós pelo mundo: EUA, Europa, Ásia, Oceania, as 3 Américas e assim fez Jean Charles, o eletricista da pequena Gonzaga, nas terras das Gerais, como muitos outros mineiros e brasileiros, saiu pelo mundo e por erro policial da Scotland Yard foi assassinado no Metro de Londres e a diplomacia brasileira nada fez, nada está fazendo em prol dos familiares.
Em todos os lugares brasileiros estão presos, largados à própria sorte e nossa diplomacia nada faz, porque se trata do brasileiro. Se fosse o jurídico, a história era outra, pois em menos de 20 anos os diplomatas brasileiros em Genebra e seus advogados se tornaram os melhores do mundo, temidos por governos e corporações mundiais. Quando se trata de causas comerciais e patentes, a bombardier do Canadá, que o diga em sua ação na OMC levou uma paulada feia no litígio contra a EMBRAER e o governo brasileiro, os compradores de camarões processados pelos pernambucanos em New York sentiram o mesmo, como é pesada a mão e como são fortes e convicentes os argumentos da diplomacia jurídica brasileira nestas questões, argumentos infalíveis, o desejo de vencer e defender a soberania das empresas é grande, claro rolam montanhas de dólares ladeira e bolsos abaixo, mas quando se trata de cuidar e defender o direito universal do homem e do cidadão brasileiro mundo afora. Onde está essa diplomacia jurídica tão forte e temida no mundo empresarial corporativo? Ela se omite, se cala, se acovarda, afinal “imigrante é um bando que deixou o Brasil porque quis”, segundo eles. É por isso que escrevo e gritarei para todo o planeta com a força dos meus pulmões: meus amigos e leitores estamos abandonados pela pátria que nos pariu.
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