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14.08.2010 imprimir Imprimir
 

Nem tudo que reluz é ouro

Por Robson Conservani

A apresentação da seleção brasileira de futebol em campo norte-americano nesta semana deixou muito torcedor perplexo. A perguntar que não quer calar é por que esses jogadores, que enfrentaram os EUA nesse amistoso, não foram convocados para a Copa do Mundo da África?

A resposta pode ser simples ou complexa, depende do ponto de vista.

Simples porque são jogadores de uma categoria “up”, que estão despontando no futebol. E complexa porque quando o assunto é seleção brasileira de futebol, nem sempre a melhor base significa vitória.

Todo brasileiro tem um pouco de “técnico de futebol” e cada um tem sua seleção na ponta da língua; tem seus jogadores prediletos já escalados na memória.

Aqui no Brasil, a imprensa esportiva especializada só teceu elogios à equipe de Mano Menezes e o resgate do “futebol arte”. Alguns jornalistas tiveram o despreparo de comparar a última exibição brasileira com a seleção da Copa de 1982 que, apesar de mostrar o futebol mais bonito da competição da época, caiu diante da Itália, do artilheiro Paolo Rossi e do arqueiro Dino Zoff, de espetacular 40 anos, sendo o mais velho jogador daquela Copa.

Mas, se reportando à competição sul-africana, muito se falou em “melhor conjunto”, do entrosamento e da união entre os jogadores, por isso não haveria mudança no time do técnico Dunga. Mas era visível a mediocridade no futebol apresentado por aquela seleção já nos amistosos e nas conquistas sob seu comando (Copa América e das Confederações, como exemplos).

Torci e torci muito contra os selecionados do Dunga por discordar da qualidade de alguns jogadores convocados.

Como sou mais comedido, arrisco a dizer a todos os torcedores que segurem a euforia com os novos garotos canarinhos, porque nem tudo que reluz é ouro.

O trabalho de Mano Menezes está apenas começando e tem hora para acabar. No meu modesto entendimento, há enorme desgaste no trabalho como técnico da seleção brasileira e desconheço alguém que tenha ficado quatro anos dirigindo o escrete canarinho nos últimos anos. Por isso, a CBF está queimando uma importantíssima etapa que objetiva a conquista da Copa do Mundo de 2014. Com certeza, Mano não reinará absoluto e talvez não segure o rojão até 2014 (poderia sim, ser utilizado, mas daqui há dois anos, talvez). Mano Menezes é um técnico ímpar hoje no Brasil, de inigualável categoria, inteligência e competência. Era nosso “trunfo” para 2014. E vale ressaltar, ainda, que muitos dos jogadores da última partida amistosa sequer serão lembrados para a próxima Copa do Mundo, que ocorrerá em solo brasileiro.

É dito e certo, enquanto a CBF (entenda-se Ricardo Teixeira e demais

dirigentes) continuar escolhendo e escalando a nossa seleção, não vejo motivo para comemorar antecipadamente a conquista do hexa.

 
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