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14.08.2010 imprimir Imprimir
 

Mudança de direção na GM atrasa retorno da empresa à bolsa

A mudança de direção da General Motors (GM) provocou o atraso da apresentação dos documentos necessários para o esperado retorno da empresa à bolsa e cuja entrega à Comissão da Bolsa de Valores dos Estados Unidos estava prevista para esta sexta-feira.

Ontem, a empresa anunciou de forma inesperada que Ed Whitacre deixará o posto de executivo-chefe no dia 1º de setembro e que no final de ano também renunciará ao cargo de presidente do Conselho de Administração.

Dan Akerson, executivo do mundo das telecomunicações e sócio do poderoso grupo de investimentos Carlyle, ocupará os dois postos.

Hoje a Casa Branca fez elogios aos dois executivos.

Durante uma entrevista coletiva, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que Akerson é um diretor respeitado, capaz de continuar o trabalho de recuperação iniciado por Ed Whitacre.

Desde que começou na empresa em 10 de julho de 2009 com o apoio do Governo americano, Whitacre diz que um de seus objetivos é que a fabricante volte à bolsa o mais rápido possível.

A GM planeja voltar a cotar suas ações em bolsa após lucrar quase US$ 2,2 bilhões durante o primeiro semestre de 2010. Os lucros do segundo trimestre somaram US$ 1,33 bilhão.

A mudança na direção da GM está por trás do atraso na apresentação perante a Comissão da Bolsa de Valores dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) dos documentos necessários para que o fabricante de automóveis volte a cotar suas ações.

A empresa retirou suas ações da bolsa em meados do ano passado por conta da sua dramática situação econômica e se declarou em quebra durante 40 dias.

Em julho de 2009, a GM retomou suas atividades após receber US$ 60 bilhões das autoridades dos EUA e Canadá, o que transformou Washington no acionista majoritário com 61% do capital.

A GM não fez comentários sobre o atraso, mas entregará os documentos no início da semana que vem.

A SEC precisará de 60 a 90 dias para processar a solicitação. Dessa forma, o símbolo da GM poderá estar outra vez em Wall Street antes do final do ano, o que era desejado por Whitacre.

Whitacre espera que a volta da GM à bolsa seja a maior da história do país. Analistas acreditam que o valor pode chegar a US$ 16 bilhões, o que deixaria a empresa abaixo da administradora de cartões de crédito Visa em 2008, quando conseguiu US$ 19,7 bilhões.

O senador republicano Charles Grassley solicitou que o Departamento do Tesouro dos EUA explique quanto o Governo irá recuperar com o retorno do fabricante à bolsa.

Grassley disse em carta enviada à Administração do presidente dos EUA, Barack Obama, que quer ter certeza de que o Tesouro vai ter retorno com a volta da GM à bolsa, "gerando o melhor resultado possível para o contribuinte americano".

"No interesse da transparência e responsabilidade é essencial que o contribuinte americano saiba se está obtendo um bom preço com o retorno da GM à bolsa e qual será a possível perda financeira", acrescentou Grassley.

Neste sentido, o porta-voz da Casa Branca disse que o Governo americano está convencido que recuperará o dinheiro investido na GM, mas que a Administração Obama não fará comentários sobre os planos da empresa em retornar à bolsa.

O jornal "Detroit News" disse hoje que os documentos que a GM apresentará detalham os riscos a investidores e quantas ações os atuais acionistas planejam vender.

Os executivos protagonizarão durante as próximas semanas uma campanha para promover a empresa entre possíveis acionistas.

O ministro das Finanças do Canadá, Jim Flaherty, acredita que as ações da GM cotem no principal mercado do país, Toronto.

As autoridades canadenses contam com 12,5% do conjunto de acionistas da GM, após injetar US$ 10 bilhões na empresa, que tem várias linhas de montagem no país.

Flaherty disse que a presença da GM no mercado de Toronto é uma "expectativa do povo canadense".

"Já que somos um dos maiores acionistas da companhia, me parece razoável e apropriado que esteja na Bolsa de Toronto", afirmou.

 
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