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21.08.2010 imprimir Imprimir
 

Pesquisas mostram que brasileiros querem consumir ainda mais, apesar das dívidas crescentes

A intenção de consumo das famílias brasileiras aumentou pelo quarto mês consecutivo, atingindo em agosto 134,4 pontos, uma alta de 0,7% sobre os 133,6 pontos registrados em julho. É o que revela a Pesquisa de Intenção de Consumo divulgada na quinta-feira  (19) pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Já o número de endividados no país aumentou de 57,7% em julho para 59,1% em agosto, como mostra a Pesquisa sobre Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), também divulgada na quinta-feira  pela instituição.

Segundo a CNC, o resultado de agosto foi influenciado principalmente pela satisfação das famílias com os empregos atuais (alta de 2% em relação ao mês anterior) e pelo otimismo com a perspectiva profissional (alta de 1,2% sobre julho).

A Região Sudeste registrou a maior alta (1,9%) nas intenções de consumo e as famílias mais ricas contribuíram com 1,1% para esta elevação.

Segundo o economista da CNC Fábio Bentes, a pesquisa sobre a intenção de consumo das famílias brasileiras é uma tentativa de antecipar o comportamento do consumidor. Já a pesquisa sobre endividamento e inadimplência tem como objetivo avaliar a capacidade de pagamento das pessoas. “Avalia não só o endividamento, mas como elas [as pessoas] estão se comportando com esse compromisso. Se elas estão mais ou menos inadimplentes de um mês para o outro”, disse.

A Peic mostra que, entre os endividados, apenas 9,7% das famílias com renda até 10 salários mínimos e 2,9% com renda superior a esse patamar não terão condições de quitar as dívidas em agosto, o que caracteriza estabilidade em relação aos resultados de julho (9,9% e 2,3% respectivamente).

De acordo com o economista Bruno Fernandes, também da CNC, a pesquisa está muito ligada às condições de emprego e de crédito. Ele disse que os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho são fortes instrumentos para entender os números da pesquisa.

“Revelam exatamente que, naquelas regiões onde o emprego e a renda estão se comportando de maneira mais favorável, a satisfação do consumidor e a sua perspectiva para o consumo futuro tendem a se elevar. A mesma coisa acontece com o crédito, uma variável importante para a gente tentar entender como o consumidor está se preparando para o consumo”, disse ele.

Ele ressaltou que o Nordeste foi a região com maior nível de endividamento no mês de agosto, devido ao crescimento mais forte do mercado de trabalho. “O crescimento, principalmente da renda real, e o alongamento do crédito estão fazendo com que as pessoas possam se endividar ainda mais”, enfatizou.

A pesquisa foi feita com base em 18 mil questionários aplicados em todas as capitais do Brasil.
 
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