O pesadelo americano na terra do american dream
Vivenciamos um dos piores momentos na economia mundial nos últimos 40 anos, especialmente aqui nos EUA, a terra do “american dream”, o sonho americano de consumo desenfreado, vida boa, mesa farta, o paraIso dos perdulários e impulsivos consumistas. Não chega a ser a queda do império, mas é preocupante e aterrorizador os dias e momentos que estamos passando. No dia que tem xícara, falta o café. Quando se tem o café, cadê a xícara? E por aí vamos.
Antes a preocupação era acordar cedo, sair de casa, trabalhar e na sexta-feira o bendito e esperado “pay day”. Hoje tudo mudou. Falta trabalho. Para muitos já falta o pão e a razão. Nós, imigrantes, vivemos dias de incertezas, tanto para os chamados legais, quanto para os ditos ilegais. Vivemos no mesmo gueto, um dependendo do outro para sobreviver. Não importa se o comerciante outrora abastado ou o simples lavador de pratos, panelas ou vasos sanitários, o povo do gueto interage e um depende do outro para sobreviver, pois a grana não caminha sozinha, ela está no bolso das pessoas. E se não temos pessoas que as traga até a loja, o restaurante, a oficina... todos nós estamos fadados a perecer na busca pelo vil metal, os dólares manchados de suor e sangue. Muitos botaram em risco a própria vida numa molhada travessia nas águas del Rio Grande, el bravo do norte, para conquistar a verde moeda na esperança de um futuro e dias melhores.
Os exploradores de plantão já não têm tanta gente para explorar. Os explorados estão dispersos como naus na tempestade na busca de um porto seguro. Valei-nos Obama, Santo Expedito, São Judas Tadeu e todas as forças positivas do universo assim na terra como céu. O desemprego está na casa de 700 mil pessoas por mês. Este mês o número da venda de casas caiu 27%. Número assustador. Para todos nós, no estado de New Jersey, 1326 famílias correm o risco de perderem seu lar doce lar, “home sweet home”. Na grande e famosa Big Apple, a tentadora New York, 773 famílias hispânicas estão à mercê da perda, do “hogar”, la casita de los suenos. 136 mil pessoas estão na fila da famosa Seção 8, aquela onde o governo ajuda pagando o aluguel. A espera poderá levar 10 anos. Quantos sobreviverão à espera sob as intempéries do verão causticante e frio congelante do hemisfério norte? Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia para os moradores da Califórnia, 48% das casas hipotecadas estão na mira dos bancos e seus moradores estão de olho para onde irão em breve se a coisa não melhorar, a rua com a sua solidão, que é prima das horas e irmã do tempo.
A crise econômica afetou os bens de raízes e gerou desemprego galopante. Mas boa parte do povo do gueto está alienada, mal informada e se recusa a ver o manto negro da noite que paira sobre as nossas cabeças. A nau dos explorados, capitaneada por exploradores navega no mar da ganância ... só Deus sabe o rumo . Só nos resta pedir ajuda ao grande Poseidon, Netuno, Iemanjá, Geová, Deus do céu e da terra , deuses do Olimpo. Dai-nos paciência e sabedoria para, assim como Moisés, cruzarmos este mar de incerteza que nos rodeia e invade nossas almas neste pesadelo americano que estamos vivendo na terra do “american dream”. |