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  Notícias . Estados Unidos

01.09.2010 imprimir Imprimir
 

Uma rota ferroviária chamada “Lake Shore Limited” é o itinerário que transporta passageiros entre a cidade de Nova York e Chicago (Illinois) sem atravessar a fronteira canadense. Porém, quando o trem para nas estações da Amtrak (companhia ferroviária) na parte oeste do estado de Nova York, agentes da patrulha fronteiriça norte-americana questionam passageiros sobre sua cidadania e prendem aqueles que não conseguem demonstrar situação legal.

“Você é cidadão dos Estados Unidos? Em que país você nasceu?” peguntavam os agentes durante uma manhã em que o trem em direção a Rochester (NY) estava cheio de passageiros ainda despertando quando parou numa estação próxima a cidade de Buffalo (NY).

Quando a resposta era “Estados Unidos”, os agentes seguiam em frente questionando o próximo passageiro. Entretanto, Ruth Fernandez, 60 anos, uma cidadã naturalizada nascida no Equador, teve seus documentos exigidos pelo agente. E embora ela estivesse apenas viajando de volta para casa em Nova York de uma visita a sua irmã em Ohio, ela carregava seu passaporte norte-americano. Em viagens anteriores, ela disse, os agentes a fotografaram e removeram um outro homem de origem hispânica que se demonstrou nervoso.

Ele foi um de centenas de passageiros apreendidos a cada ano atravês de buscas em trens e ônibus durante viagens domêsticas prôximas a fronteira do norte. A operação recebe poucas menções na mídia. Tais buscas foram implementadas após os ataques de 11 de Setembro com o crescimento da Patrulha Fronteiriça. O congresso americano expandiu a definição de jurisdição fronteiriça. Na área de Rochester, onde a fronteira no meio do Lago Ontario está há quilômetros de distância, quase 3 mil passageiros já foram presos desde outubro de 2005 até setembro de 2009.

As buscas “são um componente vital dos nossos esforços gerais em segurança fronteiriça” para previnir o terrorismo e a entrada ilegal, disse Rafael Lemaitre, um porta-voz da Agência de Proteção de Fronteira e Alfândega dos Estados Unidos (USCBP, na sigla em inglês). Ele disse que a patrulha tem jurisdição para impor leis de imigração dentro de 100 milhas (aprox. 160 km) de distância da fronteira, e prevenir que traficantes de imigrantes façam uso de rotas domésticas.

A patrulha disse que responder as perguntas dos agentes é um ato voluntário, parte de uma “conversa não-intrusiva” e com o consentimento do pasageiro. Alguns passageiros concordam, embora eles não sejam informados sobre a parte voluntária da “conversa”. Porém, segundo advogados de imigração e oficiais acadêmicos até cidadãos nascidos em território americano que foram surpreendidos com luzes de lanterna nos olhos, a prática é coerciva, inconstitucional e movida pelo uso de perfil racial.

Para algumas pessoas, as práticas da patrulha trazem a superfície o medo que a lei SB1070 do Arizona traz — de que a qualquer momento e lugar, qualquer um podem ser interrogado.

O governo federal está autorizado a fazer questionamentos em locais onde as pessoas entram no EUA, e a uma “distância razoável” da fronteira. Porém, com a injeção de investimento federal na patrulha e a tentativa de aumentar o número cadente de prisões, críticos às buscas, dizem que o conceito de fronteira está cada vez mais nebuloso, eliminando os limites constitucionais sobre busca e apreensão. E ao contrário do que acontece no Arizona, as buscas ao norte estão sendo feitas sem discussão pública.

Questionado se agentes  da patrulha fronteiriça ao norte podem questionar pessoas sobre sua cidadania na Times Square em Manhattan, já que tal local está dentro das 100 milhas de distância da fronteira, Thomas Pocorobba Jr., agente responsável pela estação em Rochester respondeu, “Tecnicamente, sim, mas não o fazemos”. Adicionando, “Nosso trabalho é exclusivo com a travessia de fronteira”.

Advogados desafiam essa explicação da atenção direcionada ao tráfego na fronteira, já que demonstrar que a maioria das pessoas apreendidas estavam no país há pelo menos mais de um ano. As informações são do NY Times.
 
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