MUNDO DO CINEMA: Dicas de filmes e DVDs
“MISS BALA” ***
Desde a primeira troca de olhares, a química entre eu e a atriz mexicana Stephanie Sigman, era de mutúa simpatia. Bela e sorridente, ela reagiu modestamente a meus elogios por sua brilhante interpretação de estreia como uma jovem pobre, obcecada por um concurso de beleza e surpreendida por virar centro da guerra entre autoridades e narcotráfico. Ela enfatizou que podia dizer duas frases em português: “gosto muito de você” e “você é um gatinho”. Lisonjeado, expressei a impressão que me causou ao observá-la primeiramente em cena: com a força expressiva demonstrada, certamente deve ter despertado atenção da Academia, que teve o filme como representante do México por uma vaga no Oscar. Apertamos as mãos, agradecidos pela comunhão entre dois desconhecidos, tragando um cigarro na calçada do Lincoln Center, no último NY Film Festival, ela voltou sorridente para atender aos outros jornalistas afoitos.
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Sem dúvida um dos melhores debuts da temporada, Stephanie transporta um sentimento de necessidade, impossível de não comover e sofrer junto a sua heroína, ambiciosa e sonhadora, que ao invés de concluir o objetivo de tornar-se Miss para usar os privilégios e ajudar ao pai e ao irmão com quem vive, acaba virando peça fundamental numa operação terrorista sangrenta. “Resolvi divulgar os números bilionários que o narcotráfico movimenta anualmente, para alertar a corrupção dessa terrível atividade”, comentou o diretor Gerardo Naranjo, indignado com essa realidade em nossos tempos. “É um problema difícil de resolver…a América é o maior consumidor, o país precisa da droga, portanto ela continua sendo produzida”, lamentou.
“Durante uma pesquisa com criminosos e também oficiais, ficava chocado e perturbado com os depoimentos. Cheguei ao ponto de não saber mais quem era quem” respondeu-me sobre como encara a tendência elevada da brutalidade em nossos países latinos. “Sinto uma tristeza profunda com esse fato, mas não tenho ideia de como solucionar”, completou Stephanie.
“Fiz algumas pesquisas, mas preferi incorporar a situação no momento da filmagem. Houve cenas onde não sabia o que aconteceria…usei minhas próprias reações, principalmente ao contracenar com o bandido líder”, revelou-me sobre seu magnífico controle de cena.
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Stephanie consegue hipnotizar com uma performance assustadora e desesperada, dessa criatura perdida entre balas.
Naranjo tem em mãos um material explosivo, mas se arrisca em clichês da moda em retratar as barbaridades do submundo latino. Porém, é bem elaborado e narrado em atmosfera asfixiante, deixando os créditos todos para Stephanie, que apoia o filme com sua firme presença. |