Hélio Castroneves é acusado de sonegar imposto e pode pegar 35 anos de cadeia
Piloto brasileiro teria usado empresa fantasma para sonegar R$ 10 milhões
O piloto brasileiro Hélio Castroneves, da Fórmula Indy (IRL), foi acusado formalmente nesta quinta-feira, nos Estados Unidos, de fraudes no imposto de renda. Ele, sua irmã e empresária, Katiucia, e seu advogado, Alan Miller, vão responder por crimes de sonegação no período de 1999 a 2004. A acusação alega que os dois usaram uma empresa fantasma para esconder da Receita rendimentos recebidos de sua equipe, a Penske, e de outra firma não identificada. Se for condenado, Castroneves pode pegar até 35 anos de cadeia (cinco pela sonegação e mais cinco por cada ano em que praticou o crime - seis no total).
- Contribuintes, pequenos ou grandes, famosos ou anônimos, devem estar cientes das severas conseqüências caso soneguem suas rendas, e isso inclui ir para a prisão, reembolsar os impostos e carregar o rótulo de criminoso para o resto da vida - afirmou o procurador Nathan J. Hochman, da Divisão de Impostos do Departamento de Justiça dos EUA.
Duas acusações e conspiração contra os Estados Unidos
A primeira acusação se refere ao caso da empresa fantasma que receberia os rendimentos da Penske. O brasileiro teria recebido um total de US$ 5 milhões (cerca de R$ 10 milhões), sem pagar os impostos devidos sobre este valor. A segunda é sobre a evasão de divisas de 1999 a 2004. Em cada uma delas, a pena máxima é de cinco anos de prisão, e mais cinco por conspiração contra os Estados Unidos.
Aos 33 anos, Castroneves mora em Coral Gables, na cidade de Miami. Duas vezes vencedor das 500 milhas de Indianápolis (2001 e 2002), ele também já correu pela Champ Car, entre 1998 e 2001. No ano passado, ganhou ainda mais visibilidade nos Estados Unidos ao vencer o concurso de TV “Dancing with the Stars”, formando dupla com a dançarina Julianne Hough.
Castroneves chora, se diz inocente
Sem conseguir disfarçar o choro com um lenço branco, o piloto Hélio Castroneves deixou a Corte em Miami nesta sexta-feira dizendo-se inocente das acusações de sonegação de imposto, pelas quais pode pegar até 35 anos de cadeia. O brasileiro, que corre na Fórmula Indy e já venceu as 500 milhas de Indianápolis duas vezes, chegou ao local algemado e com correntes nos pés. Na saída, encarou o problema como se fosse uma corrida contra a Receita nos Estados Unidos:
- Sou um corredor. Esta é uma situação muito difícil, mas eu sou forte e vou ganhar esta corrida. Está sendo um dia longo e emocional. Eu não sou culpado – afirmou. Após falar rapidamente com os repórteres, Hélio entrou no carro que o esperava e foi para o aeroporto, onde pegaria um vôo para Atlanta. No fim de semana, ele participa do GP de Petit Le Mans. O brasileiro está autorizado a viajar e competir em provas nos Estados Unidos, mas não fora do país. Com isso, ele não poderá participar da prova na Austrália, no fim deste mês. |