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02.08.2008 imprimir Imprimir
 

Olmert anuncia que renunciará ao cargo de premiê em setembro

Jerusalém - O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, anunciou na quarta-feira (30) que renunciará ao cargo em setembro, lançando seu país em um turbilhão político que poderá levar ao ponto morto as atuais negociações de paz para o Oriente Médio, apoiadas pelos Estados Unidos.

Olmert disse que não concorrerá às eleições primárias do seu partido, o centrista Kadima, que deverão ocorrer em 17 de setembro, e renunciará logo em seguida "para permitir que o novo dirigente seja eleito (premiê) e forme de maneira rápida e eficiente um novo governo."

O curto anúncio de Olmert incluiu duras críticas à polícia israelense, que conduz investigações de corrupção contra ele. O premiê disse que escolheu o bem público de Israel acima da sua justiça pessoal. A acusação mais devastadora contra Olmert partiu de Morris Talansky, um empresário israelo-americano de 76 anos que disse à polícia ter pago US$ 150 mil em subornos a Olmert, ao longo de vários anos, em troca de vantagens empresariais propiciadas pelo político. Talansky teria subornado Olmert antes do político ter sido eleito premiê, o que aconteceu após o derrame que deixou Ariel Sharon em coma em janeiro de 2006. Sharon vegeta em um hospital israelense desde então.

Olmert negou várias vezes ter feito qualquer coisa errada enquanto esteve no poder, mas ameaçou renunciar se fosse indiciado. Sua decisão de não concorrer às eleições internas de 17 de setembro no Kadima coloca em movimento o processo para escolher um novo primeiro-ministro. Se o sucessor de Olmert como líder do partido puder formar uma coalizão de governo, Israel poderá ter um novo governo já em outubro. Se não puder, as eleições deverão ser antecipadas e o processo poderá levar vários meses.

A popularidade de Olmert mergulhou para 20% após a sua sangrenta e inconclusiva guerra contra o grupo Hezbollah no Líbano, em meados de 2006, e uma série de acusações de corrupção e interrogatórios da polícia nos meses mais recentes. Analistas políticos israelenses previram por várias semanas a renúncia do premiê.

No anúncio de quarta-feira, Olmert parecia raivoso e leu um texto preparado.

"Eu fui forçado a me defender contra ataques de supostos 'combatentes da justiça' que lutaram para me derrubar, numa luta onde os fins justificaram todos os meios," disse o ressentido premiê.

Os principais candidatos para as primárias no Kadima são a ministra do Exterior, Tzipi Livni, e o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz, que foi ministro da Defesa e chefe do estado-maior das forças armadas.

O labiríntico sistema político de Israel trabalha contra uma rápida solução interna da crise pelo Kadima - com o linha-dura Benjamin Netanyahu, do Partido Likud (direita) esperando para levar vantagem. Netanyahu, um ex-premiê que lidera as pesquisas gerais de opinião, se opõe a várias das concessões de Olmert para os palestinos e sírios.

As pesquisas internas no Kadima indicam que Livni tem vantagem nas primárias. Se ela substituir Olmert, será a segunda mulher a ser premiê de Israel, após Golda Meir.

O Kadima tem apenas 29 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento de Israel. O principal aliado do Kadima na coalizão de governo, o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, é chefiado por Ehud Barak, um político veterano que foi primeiro-ministro e deseja reconquistar o cargo. Barak é atualmente ministro da Defesa.

O outro aliado do Kadima na coalizão de governo é o ainda mais instável Partido Shas, formado por ultra-ortodoxos judaicos.

Olmert reafirmou que trabalhará pela paz "enquanto eu estiver no cargo," e afirmou que as conversações de paz com os palestinos e a Síria estão "mais próximas do que nunca" em direção ao entendimento.

Mas o turbilhão político interno poderá tornar mais difícil para Olmert fechar acordos de paz, tanto com os palestinos quanto com a Síria, acordos que líderes políticos israelenses muito mais fortes não conseguiram fechar durante décadas.

O chanceler palestino Riad Malki disse que a decisão de Olmert não muda muito a situação. "É verdade que Olmert era um entusiasta com o processo de paz e falou sobre isso com grande atenção, mas a situação não alcançou nenhum progresso." disse Malki. Ele disse que os palestinos farão acordo com qualquer governo israelense.

Olmert conversou de maneira indireta com a Síria, através da sua delegação que viajou à Turquia e se encontrou pelo menos três vezes com diplomatas de Damasco. Os dois lados marcaram mais uma rodada de negociações para agosto, também na Turquia.

O analista político israelense Dan Margalit, amigo de longa data de Olmert, mas que recentemente caiu em desgraça com o governante, definiu a decisão de Olmert de renunciar como "um final triste para uma carreira miserável." Olmert, um político de 62 anos, foi prefeito de Jerusalém durante uma década.

 
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