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19.07.2008 imprimir Imprimir
 

Obama e McCain intensificam luta por voto hispânico

Por três vezes, ao longo do mês, os senadores John McCain e Barack Obama discursaram diante de organizações de defesa dos direitos e de serviços à comunidade hispânica.

Como resultado, se tornou possível traçar um quadro da estratégia e da tática que cada candidato planeja empregar para conquistar o eleitorado hispânico, que pode ser decisivo em diversos dos Estados cruciais para a eleição.

No passado, uma queixa comum entre os eleitores hispânicos era a de que os políticos tendem a considerá-los como um bloco ao qual apenas uma questão interessa - a imigração.



As duas campanhas presidenciais estão cuidando de evitar essa armadilha e vêm enfatizando temas como educação, saúde e habitação com a mesma intensidade que, se não com intensidade maior, do que a imigração e questões de fronteiras relacionadas.

Os dois também claramente reconhecem o papel do eleitorado hispânico, que vem crescendo devido ao número cada maior de cidadãos naturalizados e ao número de jovens mais alto na comunidade hispânica, o que resulta em acréscimo maior de eleitores desse grupo.

"A comunidade latina detém as chaves da eleição", anunciou Obama em San Diego, no domingo, na conferência anual do Conselho Nacional de la Raza.

McCain, enquanto isso, imagina uma situação na qual a eleição é apertada no leste do país, o que poderia dar importância decisiva aos resultados em Estados como o Novo México, onde três em cada oito eleitores têm antepassados hispânicos.

As posições dos candidatos quanto a questões e seu discurso, no entanto, diferem acentuadamente, como ficou evidente em seu discurso para La Raza.

Obama, aproveitando seus antecedentes como organizador comunitário, evocou o tema da justiça social e proclamou seu apoio irredutível pela chamada "Lei do Sonho", que permitiria que alunos de segundo grau que sejam imigrantes ilegais fizessem um curso superior ou se alistassem nas forças armadas e conquistassem cidadania.

"Eu gosto de tudo que ele diz pretender fazer, especialmente pelos pobres", disse Rafaela Garcia, líder de um serviço de educação e saúde comunitária em Kansas City, Missouri, depois do discurso de Obama.

"Mas eu sou democrata, e continuarei sendo até morrer." A mensagem de McCain parecia dirigida ao que ele encara como conservadorismo social inato dos hispânicos.

Ele pretende apelar à sua profunda religiosidade, aos fortes laços familiares e patriotismo da comunidade, e também enfatiza a propensão dos hispânicos a criar negócios próprios, e seu apoio ao livre comércio com a América Latina, bem como a atenção às pequenas empresas hispânicas.

Mas quanto a esse último ponto, ele pode ser prejudicado por sua associação com o governo Bush, mesmo entre os eleitores simpáticos à sua mensagem.

"Estou ansioso por ouvir o que ele tem a dizer, mas incentivos fiscais não ajudam as pessoas a que atendemos, e o governo reduziu ou eliminou as verbas de que precisamos", disse Cynthia Amador, que opera um pequeno centro de negócios para as mulheres hispânicas de Los Angeles, antes do discurso de McCain a La Raza na segunda-feira.

Quanto à imigração, embora ambos os candidatos digam favorecer uma alteração abrangente nas políticas vigentes, há diferenças de tom. Obama fala dos 12 milhões de imigrantes sem documentos que estão "ocultos", e da necessidade de "tirá-los das sombras".

McCain, do Arizona, um Estado de fronteira, diz que existem dois milhões de criminosos em meio a esse grupo e também fala da manipulação de fluxos de imigração pelos traficantes de drogas.

Ainda que a população hispânica continue dispersa em termos geográficos, a maioria dela ainda vive em alguns poucos Estados bem providos de votos no colégio eleitoral.

Mas não é provável que esses Estados sejam o centro dos esforços de campanha dirigidos aos latinos. Califórnia, Nova York e Illinois, o Estado base de Obama, são vistos como vitórias seguras para ele, enquanto o Texas é considerado como praticamente garantido para McCain.

Dos grandes Estados com população hispânica considerável, apenas a Flórida é vista como indecisa, e as duas campanhas vêm se esforçando, lá. O foco quanto aos hispânicos se transferiu a diversos Estados de porte médio ou pequeno, entre os quais Colorado, Nevada e Novo México, onde McCain fez campanha na terça-feira.

"Vamos gastar mais dinheiro na TV e rádio latinos do qualquer campanha presidencial jamais gastou, e por larga margem", disse Cuahtemoc Figueroa, diretor de campanha de Obama para os votos latinos, a membros da La Raza, no domingo.

A campanha também considera que Maya Soetoro-Ng, meia-irmã de Obama que foi professora no Bronx durante muitos anos, como uma espécie de trunfo para os eventos com eleitores hispânicos.

"Ela fala espanhol fluente, com acento dominicano, e tem cara de latina", disse Figueroa. Hessy Fernandez, porta-voz da campanha de McCain para questões hispânicas, disse que seu candidato não reconhece essas vantagens de Obama e argumentou que o rival "estava perdendo apoio" entre os hispânicos, desde que garantiu a indicação. (Uma pesquisa de opinião pública do New York Times e da rede de TV CBS constatou que Obama venceria McCain por 62% a 23% entre os eleitores de origem latina.)

Fernandez disse que McCain iria "a lugares nunca visitados por um candidato republicano", em busca do apoio do eleitorado hispânico. McCain também pode contar com apoio incomum entre os hispânicos, ela apontou.

Por exemplo, Frank Gamboa, que foi seu colega de quarto na Academia Naval, gravou comercial de rádio em espanhol no qual diz que McCain "compartilha de nossos valores conservadores e fé em Deus. Ele sabe que a família é a coisa mais importante para nós e que valorizamos o trabalho duro".

 
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