Moradores de New Orleans voltam, mas sofrem com falta de luz
New Orleans - Ainda relutante, o prefeito Ray Nagin permitiu que os moradores começassem a retornar para New Orleans, após a passagem do furacão Gustav. Isso apesar de mais de um milhão de residências e negócios em três Estados estarem sem eletricidade - funcionários disseram que pode levar até um mês para o restabelecimento completo da energia.
Enquanto os moradores voltavam na quarta-feira, o presidente George W. Bush visitou o local de um dos maiores fracassos de seu governo. A intenção é mostrar a mudança em relação à resposta dada na passagem do furacão Katrina, em 2005.
Os moradores que voltavam argumentavam que, se a cidade era um local seguro para as equipes de resgate, também era para eles. "As pessoas precisam ir para casa, consertar suas casas e voltar a trabalhar", disse George Johnson, que usou rotas alternativas para chegar a New Orleans. "Eles querem nos manter longe de nossas propriedades. Isso simplesmente não é justo."
Mas uma vez em casa, muitas pessoas não tinham energia nem previsão de quando ela voltaria. Muitos locais foram afetados em Louisiana e milhares de edifícios estavam sem luz no Mississippi e no Arkansas.
"Não há desculpa para o atraso", disse o governador de Louisiana, Bobby Jindal. "Nós precisamos muito acelerar o ritmo com que a energia é restabelecida."
Algumas horas após chegar em sua casa no subúrbio, Paul Braswell suava na churrasqueira para preparar um frango e salsichas que ele havia estocado no freezer com blocos de gelo, antes de fugir com sua família para o Mississippi. "Amanhã nós fritaremos o camarão que minha mãe deixou no freezer dela", revelou.
Alguns lugares não foram afetados pela queda de energia. Entre eles o Superdome, onde o Saints, time de futebol americano local, planejava iniciar a temporada no domingo.
Bush percorreu centros de emergências e alguns locais afetados pelos alagamentos. O presidente qualificou a resposta governamental ao Gustav como "excelente", e pediu a empresas de energia nos Estados vizinhos que, caso possam, enviem eletricidade para a Louisiana.
A rápida reação foi bastante diferente da ocorrida no Katrina, um furacão bem mais forte que atingiu a região há três anos. Cerca de 1.600 pessoas foram mortas na ocasião e a Casa Branca foi bastante criticada por demorar a se envolver na questão.
Para moradores afetados pelo Katrina, o fracasso do governo ainda estava fresco na memória. "Que me importa se Bush está visitando a região? Eu ainda estou tentando consertar minha propriedade do Katrina", disse a empregada doméstica Flora Raymond. "Dessa vez as coisas se saíram melhor, mas nós ainda precisamos de ajuda" por causa do furacão de 2005, afirmou. |