Polícia Federal ataca finanças do PCC

Polícia Federal ataca finanças do PCC
11 julho 07:54 2013 Imprimir

Apreensões de toneladas de cocaína criaram prejuízos de R$ 50 milhões para a facção criminosa em seis meses

A Polícia Federal descobriu que o Primeiro Comando da Capital (PCC), a organização que controla os presídios, vem erguendo um verdadeiro império financeiro através do tráfico de cocaína em São Paulo. O maior sintoma desse poderio pode ser medido pela estatística: em seis meses de investigação, entre janeiro e junho deste ano, foram apreendidas sete toneladas e meia de cocaína no estado cujo valor de atacado no mercado das drogas – onde o preço médio é de R$ 10 mil o quilo – chega a R$ 75 milhões. 

trafico de drogas

Como parte da droga apreendida é a pasta base da cocaína, comercializada a um valor menor que o do cloridrato, quando ela está pronta para o consumo, o rombo nas finanças da organização só na perda do “produto” que alimenta a organização é estimado em cerca de R$ 50 milhões.

Isso significa dizer que as quadrilhas envolvidas com a compra e distribuição no atacado movimentam finanças equivalentes ao capital de giro de empresas de médio porte. Em cada operação, além das prisões, a polícia tem apreendido e confiscado todos os bens em poder dos criminosos, o que aumenta os prejuízos.

“O que move a quadrilha são negócios”, afirma o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Roberto Troncon Filho.

Desde que o Ministério da Justiça e o governo paulista fecharam um acordo de cooperação, iniciado em novembro do ano passado, os órgãos policiais centraram foco para combater o PCC naquilo que é vital para sua existência: as finanças, minadas através das apreensões de drogas.

Também estão quebrando o fluxo financeiro alimentado pela lavagem de dinheiro e as ações violentas fora das prisões que, só no ano passado, como consequência da guerra entre PCC e Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) resultaram na morte de dezenas de criminosos e mais de noventa policiais militares.

Até o final do ano passado, mesmo diante do evidente avanço da organização no controle dos presídios, o governador Geraldo Alckmin e os órgãos de segurança paulistas (Secretaria de Segurança e Secretaria de Administração Penitenciária) procuraram negar a existência do PCC.

Em 20 anos, no entanto, a quadrilha se expandiu de tal forma que atualmente não só detém a maior fatia do mercado do tráfico de drogas, como também estendeu seus tentáculos lavando dinheiro no crime em atividades legais (como o transporte) e se infiltrando discretamente nas estruturas políticas de municípios da Grande São Paulo.

Representante da Polícia Federal na força tarefa organizada com a criação da Agência de Atuação Integrada – grupo de inteligência onde têm assento também as polícias militar, civil e rodoviária federal, as secretarias de Segurança e de Administração Penitenciária, Receita, Banco Central e outros órgãos de controle -, o delegado Roberto Troncon alerta que o PCC não deve ser mitificado e nem ignorado. A quadrilha tem poder financeiro e de fogo e se infiltrou na política penitenciária.

  Editorias:




Escreva um comentário

Nenhum comentário

Nenhum comentário ainda...

Seja o primeiro a comentar!.

Publique seu comentário

Your data will be safe! Your e-mail address will not be published. Also other data will not be shared with third person.
All fields are required.