Casal dos EUA acusado de matar filha adotiva de fome enfrenta prisão no Catar

Casal dos EUA acusado de matar filha adotiva de fome enfrenta prisão no Catar
07 novembro 13:04 2013 Imprimir

casal preso euaMatthew e Grace Huang, um casal americano com três filhos adotivos da África, viveram no reino do Catar desde julho de 2012. Na maior parte do tempo desde então, entretanto, os pais estão presos no país, acusados de matar sua filha de oito anos de fome com intenção de vender os órgãos da menina.

As autoridades do Catar negaram repetidas vezes os pedidos de fiança do casal e somente nas últimas poucas semanas permitiram que a mãe de Grace levasse as duas crianças sobreviventes, dois meninos, à sua casa nos EUA. Em todas as audiências preliminares, os advogados de defesa, que garantiram sua inocência, não obtiveram permissão de apresentar seu lado da história para o juiz que preside o caso. Nesta quarta-feira (6), eles devem ter essa oportunidade.

Não há dúvidas de que a filha do casal, Glória, morreu em 15 de janeiro após não se alimentar, talvez, por dias. Mas Matthew, Grace e seus apoiadores afirmam que a garota tinha um transtorno alimentar ignorado pela acusação. Eles decreveram o caso como uma combinação escandalosa de evidências falhas ou inexistentes, preconceito étnico e desencontros culturais extremos em um país onde famílias multirraciais são uma anomalia e a adoção uma prática estranha.

Investigadores da polícia de Catar, em seu relatório sobre a morte de Glória, entendeu as circunstâncias da família como altamente suspeitas, e escreveram que a garota teria sido forçada a passar fome. Os réus, concluiu a investigação, “tinham participação no tráfico de crianças, muito provavelmente para vender seus órgãos ou realizar experiências médicas com eles”.

A prática devota do cristianismo pela família Huang pode ter levantado as suspeitas da polícia, que destacaram em seus relatórios que as três crianças eram educadas em casa pela sua mãe, em vez de frequentar uma escola.

O caso levantou questionamentos sobre o sistema judiciário do Catar, um aliado próximo aos EUA, que aspira à posição de uma sociedade islâmica moderna e tolerante e se tornou o primeiro país árabe a ser escolhido para sediar uma Copa do Mundo, em 2022. Pressionando ainda mais o Catar, o processo foi assumido pelo Projeto Inocência da Califórnia, um grupo com base em San Diego que busca publicizar o que considera aprisionamentos injustos, e a Agência David House, grupo de Los Angeles especialista em ajudar clientes envolvidos em complicadas crises legais no exterior.

A defesa afirma que Matthew Huang, 37 anos, e Grace Huang, 36, tentaram resolver o grave transtorno alimentar de Glória, que passou fome durante boa parte de sua infância em Gana. Eles afirmaram que a menina às vezes ficava dias sem comida, às vezes apresentava compulsão por junk food ou vasculhava o lixo, ou roubava comida para comer escondida em seu quarto. Segundo especialistas em adoção dos EUA, esses distúrbios não são incomuns entre filhos adotivos de países carentes.

Eric Volz, diretor da Agência David House, disse em entrevista por telefone que ele estava “perplexo sobre por que o Catar deixaria o caso chegar tão longe” e disse que a embaixadora dos EUA no Catar, Susan Ziadeh, tem sido “atenciosa e prestativa”. Ziadeh não respondeu os pedidos para comentar o caso.

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