Testemunha diz ter ouvido gritos antes da morte da namorada de Pistorius

Testemunha diz ter ouvido gritos antes da morte da namorada de Pistorius
06 março 01:32 2014 Imprimir

pistorius

Michelle Burger, a vizinha de Oscar Pistorius, protagonizou na segunda-feira o primeiro dia do julgamento do atleta sul-africano pelo assassinato de sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, ao assegurar que escutou “gritos terríveis” de mulher e disparos na noite do crime.

“Depois das três da manhã, acordei ouvindo terríveis gritos de mulher”, afirmou Burger – cujo marido também diz ter ouvido os gritos – no Tribunal Superior de Pretória, onde o julgamento foi iniciado em meio a uma enorme expectativa midiática.

A testemunha também ressaltou que pôde sentir o “terror” e a “agonia” da mulher que gritava.

Burger, que tem a sacada a 177 metros da casa do corredor paraolímpico, foi a primeira testemunha chamada pelo juiz, Gerrie Nel que acusa Pistorius pelo “assassinato premeditado” da modelo.

Por sua parte, em uma declaração jurada lida por um de seus advogados, Kenny Oldridge, o velocista alegou ter matado Steenkamp por acidente, já que de acordo com sua versão, ele disparou pensando que se tratava de um intruso que tinha invadido sua casa.

Embora tenha assumido o crime, ocorrido no dia 14 de fevereiro de 2013, Pistorius diz que matou sua namorada a tiros através da porta fechada do banheiro de sua casa em Pretória. Se for considerado culpado por assassinato premeditado, Pistorius poderia ser condenado à prisão perpétua.

O velocista, de 27 anos, se declarou “inocente” ao ser perguntado por Nel, quem dispõe de uma lista de 107 testemunhas que serão convocadas para declarar durante o julgamento, cujo final está previsto para o próximo dia 20 de março.

A equipe de Pistorius rejeitou, frente à teoria da Promotoria, que seu cliente e Steenkamp tivessem discutido antes da morte da modelo e recriminou a acusação que afirma, sem provas, que existiu uma briga antes do crime.

O principal advogado da defesa, Barry Roux, realizou um longo interrogatório com Burger, questionando os detalhes oferecidos pela testemunha, e indagou se a testemunha não teria ouvido golpes de raquete de críquete com os quais Pistorius tentou abrir a porta do banheiro.

Burger chegou a descrever o som dos disparos e explicou de forma muito gráfica o espaço de tempo que intermediou entre eles.

Apesar de ter começado intervenção visivelmente nervosa e sensibilizada, a mulher, que trabalha na Universidade de Pretória, resistiu à personalidade incisiva de Roux e insistiu que ouviu claramente vozes angustiadas e tiros.

Roux colocou então a possibilidade de que a voz de Pistorius, em estado de ansiedade, poderia soar como a de uma mulher, algo que foi rejeitado taxativamente pela testemunha, visivelmente segura de que se tratava de uma voz feminina.

No espaço reservado ao público, as famílias de Pistorius e de Steenkamp compartilhavam o mesmo banco, separadas por três representantes da Promotoria.

A mãe de Reeva, June Steenkamp, chegou ao julgamento no começo da manhã e na companhia de vários parentes.

Os irmãos de Oscar, Aimee e Carl, chegaram depois e sentaram na fila que Steenkamp, deixando alguns metros de distância entre os dois grupos, que não chegaram a se cumprimentar.

Sem perder a compostura, o acusado, vestido com terno escuro e camisa branca, esteve esperando o começo do julgamento mais de uma hora e, já durante a audiência, tomou notas em uma certidão que passou a seus advogados.

Aproximadamente 50 jornalistas da imprensa sul-africana e internacional enchiam a sala, enquanto outros tantos seguiam o julgamento através de telas de televisão em uma estadia ao tribunal.

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