Bispos católicos discutem acolhida a divorciados e gays

Bispos católicos discutem acolhida a divorciados e gays
09 outubro 11:59 2014 Imprimir

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O testemunho de Romano e Mavis Mirola, diretores do Conselho Católico Australiano Família e Matrimônio, levantou na terça-feira na assembleia do Sínodo Sobre a Família, no Vaticano, exemplos de dificuldades reais que a Igreja deve enfrentar, como o drama das mães solteiras, a acolhida de um filho gay e a educação de crianças portadoras de deficiências.

Os australianos disseram que a família, apresentada como beleza do amor humano e reflexo do amor divino, é cheia de pequenos dramas, como o de uma mãe solteira que educa os filhos e frequenta a paróquia, apesar de ser alvo de rejeições; o de um casal que aceita um filho homossexual (“ele é e continua sendo nosso filho”), e o de uma viúva que cuida do filho de 44 anos com síndrome de Down e esquizofenia, preocupada com o futuro dele, depois que ela morrer.

Os padres, observou o casal, têm grande papel a cumprir na assistência que devem dar aos leigos na pastoral familiar, mas têm de receber formação mais adequada, a começar por uma mudança de mentalidade, como ensinou Bento XVI. Para o papa emérito, lembraram os australianos, os leigos são não apenas colaboradores do clero, mas corresponsáveis na evangelização. A formação do clero foi objeto de outras intervenções da sessão do Sínodo, que começou com breve introdução de um dos três presidentes-delegados, o arcebispo de Paris, cardeal André Vingt-Trois.

A questão dos católicos divorciados e recasados ocupou boa parte das discussões, conforme relato do Serviço de Informação do Vaticano. Vários participantes externaram preocupação com a necessidade de se dar melhor acolhimento a esses casais e com a aspiração deles de terem acesso ao sacramento da Eucaristia, “que não é sacramento dos perfeitos, mas daqueles que caminham”, ou seja, de todos os fiéis que vivem o dia a dia da comunidade cristã.

Argumentando que a Igreja deve transmitir a verdade e não fazer um julgamento dos recasados, os participantes do Sínodo disseram que “o remédio da misericórdia traz acolhida, assistência e apoio”, sobretudo porque as famílias que sofrem (discriminação na comunidade) não buscam soluções pastorais rápidas, nem querem ser mera cifra estatística, mas sentem a necessidade de se serem ouvidas e amadas. “Deve ser dado mais espaço para a lógica sacramental do que para a lógica jurídica”, insistiram os bispos.

O Vaticano propõe, como se voltou a insistir no plenário do Sínodo, a simplificação dos processos de declaração de nulidade do casamento como solução para a situação dos recasados. A declaração de nulidade significa que o matrimônio não existiu, e não a anulação de um matrimônio válido. Dando-se mais agilidade aos tribunais eclesiásticos, diminuiria o número de casais em situação considerada irregular. Paralelamente à questão jurídica, discutem-se problemas práticos, como o acesso dos recasados aos sacramentos. É provável que seja aceita a proposta do cardeal alemão Walter Kasper, que sugere a admissão dos casais em segunda união à Eucaristia, sob certas condições. A Conferência Episcopal da Alemanha apoiou Kasper, conforme anunciou seu presidente, cardeal Reinhard Marx.

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