Por que todos precisam prestar atenção no desaparecimento das tribos da Amazônia

Por que todos precisam prestar atenção no desaparecimento das tribos da Amazônia
08 outubro 17:28 2015 Imprimir

MARK PLOTKIN

Mark Plotkin, hoje um bem-sucedido etnobotânico e conservacionista especializado em florestas tropicais da Amazônia, aos 19 anos era um jovem que tinha abandonado a faculdade e trabalhava à noite no Museu de Zoologia de Harvard.

Tendo desenvolvido uma curiosidade insaciável sobre a flora e a fauna quando criança, decidiu fazer um curso à noite na universidade, coordenado por um famoso etnobotânico. Depois de participar daquela primeira palestra em 1974, Plotkin sabia que queria passar o resto da vida explorando florestas tropicais. Em questão de meses, foi convidado a participar de uma expedição à região amazônica da Guiana Francesa como pesquisador-assistente.

Desde aquela viagem, Plotkin tem passado décadas na América do Sul — principalmente no Suriname, um pequeno país localizado no nordeste da região e coberto em 90% por florestas tropicais — estudando as plantas e nativos de florestas tropicais. A maior parte desse tempo tem sido focada em acompanhar e aprender com os curandeiros indígenas, conhecidos como pajés ou xamãs, cujas práticas únicas e conhecimentos das plantas nativas podem revelar a cura de muitas doenças crônicas que a medicina ocidental tem encontrado dificuldade em tratar. Apesar do fato de 25% dos medicamentos modernos serem derivados de plantas de florestas tropicais, menos de 1% das plantas tropicais foram analisadas para fins médicos.

Em seu livro de memórias Tales of a Shaman’s Apprentice (Contos de um Aprendiz de Xamã), publicado em 1994, Plotkin diz que toda vez que um pajé morre, é “como se uma biblioteca tivesse sido queimada”. Para proteger essas tribos e seu vasto conhecimento inexplorado, Plotkin fundou a Amazon Conservation Team, uma organização não governamental dedicada a proteger as florestas e seus habitantes.

O HuffPost Science conversou com Plotkin para saber um pouco mais sobre etnobotânica, medicina xamanística e a urgente necessidade de proteger a maior floresta tropical do mundo antes que seja muito tarde. Confira o que aprendemos.

Você acredita que a Amazônia tem as chaves para a cura de doenças que a medicina ocidental tem enfrentado dificuldade de tratar?

A medicina ocidental é o sistema de cura mais sofisticado já inventado, mas ainda tem muitas falhas. Basta observarmos o câncer de pâncreas, insônia, refluxo ácido, estresse — todas essas coisas que a medicina ocidental não pode curar — para nos darmos conta de que precisamos de alternativas ou complementos. Como ocidentais, fomos de certa forma ensinados que qualquer coisa que não tenha sido feita por um cara branco de jaleco não é ciência, mas isso obviamente não é verdade.

Claramente, sistemas como a medicina chinesa e ayurvédica fizeram algo. Eu foquei na medicina xamanística por várias razões, uma delas é que não está escrita. Então, de certa forma, é uma das que mais corre perigo. Existe potencial para tratar coisas que não podemos curar? Absolutamente. Existe potencial para tratar coisas que podemos curar, mas com menos efeitos colaterais e sendo mais eficiente na relação custo-benefício? Acredito que certamente sim.

Os xamãs têm usado alucinógenos como ferramentas de cura por gerações, e agora vemos um enorme ressurgimento do interesse popular e médico em psicodélicos como ferramentas terapêuticas.

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