Empresas de fiança têm novo negócio para explorar ilegais: algemas eletrônicas

Empresas de fiança têm novo negócio para explorar ilegais: algemas eletrônicas
15 outubro 16:59 2015 Imprimir

tornozeleiras eletronicas

Imigrantes ilegais que foram detidos por violar as leis de imigração nos Estados Unidos denunciam uma empresa dedicada ao pagamento de fianças que se vale do desespero das pessoas para serem soltas ao cobrar uma mensalidade de $ 420 dólares, após pagar a fiança e colocar neles algemas eletrônicas como garantia.

“Estou desesperado com esta algema, já paguei a mais para a empresa e estou como um preso, mas em minha casa. As pessoas me olham feio quando percebem a algema, pensam que sou um criminoso”, explicou Nefi Morales de El Salvador à Agência Efe.

Em junho do ano passado, o salvadorenho, de 26 anos, pensou que o mais difícil de sua travessia como imigrante ilegal já tinha passado: um juiz de imigração permitiu que ele tentasse asilo político nos Estados Unidos, após pagar $ 7 mil dólares de fiança para ser libertado. “Outro preso me deu um número de telefone e disse que eles podiam me ajudar. Minha esposa ligou de Los Angeles e aí começou todo este pesadelo”, lembrou. Morales fez um pagamento inicial de mais de $ 2 mil dólares – a empresa pede 20% do depósito – e assinou um contrato com a companhia Libre by Nexus no qual se comprometeu a pagar $ 420 dólares mensais pelo aluguel da tornozeleira.

Morales já pagou mais de $ 9 mil dólares e a cobrança não tem data para acabar. Ele ainda deve pagar a “tarifa de serviço, uma instalação de GPS e tarifa de rastreamento”, de acordo com a Libre by Nexus em seu site, até que seu caso seja resolvido, o que pode demorar até três anos. “Isto é um ataque à dignidade do ser humano e do migrante. Estão pagando para estarem livres quando realmente não estão. Além disso, ficam estigmatizados”, advertiu Byron Vasques, diretor da Casa de Cultura da Guatemala.

A organização trabalhou no caso de Jacqueline Blanco, uma guatemalteca que pagou uma fiança após passar vários meses no Centro de Detenção em Eloy, no Arizona.

“Inicialmente, pensamos que era o departamento de Imigração e Alfândega (ICE) que tinha posto o bracelete, mas descobrimos que era uma empresa privada. Começamos a procurar outros imigrantes ilegais e em poucos dias encontramos dezenas deles só no Arizona. Deve ter muitos outros por todo o país”, indicou Vasques.

De acordo com Fernando Romo, advogado especialista em imigração, uma fiança para uma pessoa que está com um caso na corte de imigração pode durar anos até que o juiz dê a sentença favorável, que autorize a residência, ou determine uma saída voluntária ou a deportação.

“Tecnicamente a cobrança poderia ser legal porque um contrato foi assinado, e seria preciso ver o que ele diz, mas a cobrança não é muito ética porque para que a corte libere a fiança podem passar até 36 meses”, advertiu Romo.

A Agência Efe tentou por várias vezes conversar com Libre By Nexus, com sede em Harrisonburg, na Virgínia, mas não obteve retorno. Richard Rocha, porta-voz do ICE, esclareceu à Efe que não é associado a Libre By Nexus. Além disso, o órgão não cobra pelos serviços que os imigrantes ilegais recebem quando estão sob o Programa de Detenção Alternativa que oferece dispositivos de vigilância eletrônica a alguns deles.

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