Mineradoras doaram R$ 6,6 milhões de reais a deputados que debatem acidente

Mineradoras doaram R$ 6,6 milhões de reais a deputados que debatem acidente
19 novembro 13:54 2015 Imprimir

tragedia mariana

Empresas mineradoras doaram ao menos R$ 6,6 milhões às campanhas de deputados federais que tratam diretamente do novo Código de Mineração e aos parlamentares da comissão externa da Câmara criada para monitorar os efeitos do rompimento das barragens da Samarco no município de Mariana, em Minas. Segunda-feira, 16, eles visitaram a região do desastre. As doações declaradas à Justiça Eleitoral foram feitas aos comitês dos candidatos ou aos diretórios dos partidos. Na recém-criada comissão especial para discutir o Código de Mineração, 11 dos 20 parlamentares já indicados receberam R$ 3,39 milhões. O valor pode aumentar, uma vez que ainda faltam sete indicações para o colegiado. Dos 18 deputados do grupo que viajará a Mariana, 13 foram financiados por mineradoras, no total de R$ 2,5 milhões.

A Vale, controladora da Samarco com a BHP, doou R$ 4,2 milhões a deputados, segundo o Estadão Dados. A reportagem só contabilizou empresas que trabalham com mineração em seus grupos.

mineradoras congresso

Membro da comissão externa, o deputado Rodrigo de Castro (PSDB-MG) foi o que recebeu no grupo o maior volume de doações diretas ou indiretas, feitas via direção nacional de seu partido. Foram R$ 801,1 mil. Castro não atendeu às ligações nem respondeu a mensagens até as 20h50 deste domingo, 15.

O líder de doações é justamente o relator do texto que propõe novas regras para o setor, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). Ele recebeu R$ 1,4 milhão em doações diretas e indiretas. É também o maior beneficiário das mineradoras quando analisados os 18 deputados da comissão criada no início do ano que receberam doações do setor. Coordenador da Frente Parlamentar Mista da Agropecuária, a chamada bancada ruralista, o deputado Marcos Montes (PSD-MG) recebeu R$ 788,7 mil de mineradoras. Integrante das duas comissões, a encerrada e a recém-criada, ele diz acreditar “ser extremamente normal” a situação.

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