Por que a América Latina é a região onde mais cresce o consumo de cocaína no mundo

Por que a América Latina é a região onde mais cresce o consumo de cocaína no mundo
07 julho 12:24 2016 Imprimir

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A droga e seus derivados estão em setores de baixo nível socioeconômico, classes médias, entre jovens e adultos, universitários e homens de negócios.

O consumo de cocaína na América do Sul supera em quatro vezes a média mundial.

E não fica só nisso. O Cone Sul desbancou a Europa como a segunda região com mais usuários, atrás apenas da América do Norte.

Os dados aparecem em relatório divulgado nesta semana pelo UNODC, Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

O mesmo relatório aponta que o consumo de cocaína no Cone Sul disparou mais do que em qualquer outra parte do mundo entre 2009 e 2015, e que sua porcentagem de usuários se aproxima cada vez mais do índice dos Estados Unidos.

A América do Sul não é mais a região que apenas abastece os mercados de cocaína da América do Norte, Europa e Ásia. Tem seu próprio mercado e o número de consumidores avança rapidamente.

E de modo mais veloz do que o resto do mundo, aponta o informe do UNODC.

Segundo Angela Me, chefe de investigações e análise de tendências do UNODC e principal autora do estudo, diferentes fatores explicam a alta no uso de cocaína na América do Sul.

“Além do aumento na renda em toda a região, a cocaína agora tem um mercado maior. A cocaína costumava ser uma droga para gente rica, mas agora temos países como o Brasil onde a droga se usa em outras camadas da sociedade”, disse a pesquisadora à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Outro elemento, diz Angela Me, é o aumento no número de consumidores esporádicos, que não usam a droga regularmente.

Na avaliação do pesquisador Ricardo Soberón, ex-chefe antidrogas do Peru, o relatório mostra como a produção da folha de coca e da cocaína cresceram na esteira do aparecimento de novos mercados.

O Uruguai encabeça a lista de países sul-americanos com maior número de consumidores.

Sua porcentagem (1,8%) supera a da América do Norte (México, Canadá e EUA, 1,6%), embora ainda esteja abaixo da dos EUA (2,1%).

Segundo Angela Me, o relatório mostra que o consumo de drogas cresceu em geral no Uruguai, e não se trata apenas de cocaína.

Sobre o Brasil, a pesquisadora diz que é preciso considerar o índice alto de consumo de derivados da cocaína de baixa qualidade, como o crack e outras substâncias feitas a partir de resíduos da pasta-base.

Situação semelhante ocorre na Argentina e no Chile.

Com a disponibilidade de substâncias de baixa qualidade e preço, o número de consumidores e de viciados sobe.

Nos últimos dois anos, países como Bolívia e Peru redobraram esforços para conter o corredor aéreo de tráfico de cocaína que conecta seus países ao Brasil, maior mercado da região.

Autoridades bolivianas e peruanas chegaram a apontar que até 20 aviões de pequeno porte por dia realizavam os chamados “narcovoos” ao Brasil.

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